5 de mai de 2013

aquele fluxo de consciência.

enrolando e procrastinando como uma louca, corro pro reader.
esse eu negligencio de propósito, pra momentos como este; tem pilhas de livros esperando para serem fichados, mas eu tenho que ir ver tanto de post não lido no reader e colocar pelo menos alguns em dia. às vezes eu tenho a proeza de zerar, e tenho uma satisfação mentirosa de que, pelo menos isso, eu consigo manter em dia.
enganar a gente mesmo é muito fácil.

mas enfim, indo direto pros não lidos dos blogs favoritos, eu me deparei com esse. pra quem não sabe, lolla mora no UK há um bom tempo. gosto do seu blog pela sinceridade cortante, ótimas fotos e uma visão mais 'minha cara' das coisas.
o post em questão traz uma discussão que eu sempre evitei na internet: o choque cultural. a lolla da as impressões dela sobre as impressões de outra menina sobre londres.

ela toca em pontos que eu já cansei de falar em conversas com amigos, de que como alguns brasileiros adoram achar um horror alguns costumes/coisas/whatever em outros países, mas vai um gringo falar mal do brasil, vai... é tipo aquela coisa da pessoa que vive falando mal da irmã e daí quando você concorda e diz "é, sua irmã é meio folgada mesmo", a pessoa briga com você. ou de que como o povo sai do país e a primeira coisa que faz e ir correndo atrás de uma churrascaria. ou ficar choramingando de "saudade de um feijãozinho".
uma vez, vi no facebook uma menina que mora nos USA gastar sei lá quantos dólares em nescau, leite moça, milho pra pipoca zaeli e chocolate garoto, sendo que ela poderia comprar equivalentes americanos pelo terço do preço.
até entendo que esse saudosismo culinário é pelo o que tudo aquilo envolvia (uma pipoca achocolatada com as amigas, por exemplo) e não pelo sabor em si.

daí isso faz associação com outra coisa que me faz pensar quando leio posts/blogs assim. de como eu gostaria que existisse essa cultura digital quando eu morei fora.
tenho certeza que haveria posts idiotas dos quais eu morreria de vergonha e deletaria sem dó, mas eu adoraria poder falar pras pessoas sobre os banheiros japoneses, sobre o sistema de ônibus, a tolerância da sociedade com o vício de jogos de azar, a parte feia e fedida do japão, a parte melancólica, os campos de arroz no meio da cidade.
e também o outro lado, pois até hoje eu me lembro de olhar com estranheza as pessoas gastando mais do que deviam em comida nas lojas de produtos importados porque não queriam de forma alguma se desligar do brasil. daí compravam tudo importado: arroz, feijão, farofa, carne... tinha gente que sequer pisava num supermercado japonês. apenas esperava o caminhão dos brasileiros (um caminhão com a caçamba adaptada com prateleiras cheias de produtos vindos do brasil, um mercadinho ambulante) estacionar na frente do prédio e fazer a compra da semana.
a desculpa universal era o abismo linguístico, e de certa forma eu tenho que concordar. como diferenciar sabão líquido de amaciante? mas para isso tínhamos tradutores que ajudariam, pessoas experientes que faziam compras em mercados japoneses há décadas, amigos nativos que entendiam português.
pra tudo a gente dá um jeito, porque não daríamos nesse caso?

e eu não posso dizer que seria perder medo da identidade, porque morar no japão não foi, pra mim, um rompimento tão brusco assim. todos meus amigos eram brasileiros, eu só falava português; com algumas exceções, todos os meus colegas de trabalho eram brasileiros (e sempre tinha um tradutor). quando eu saía a noite, ia pra lugares feito por brasileiros, para brasileiros. isso que eu nem morava numa certa região que é a mais brasileira do japão. ouvia dizer que lá tinha até pastelarias e outdoors em português.

e essa enrolação toda é só pra comentar que quanto mais eu vejo "impressões" de alguém sobre algum lugar que não é seu local de nascimento e crescimento, mais eu percebo que, mesmo com o mundo globalizado, a cultura digital e o acesso instantâneo, a gente nunca vai ser cosmopolita.
esqueçam.
nunca.