29 de jun de 2016

de quando deveríamos estar com as compras em dia. ou o curioso apetite do meu filho.

é uma da manhã.
não irei dissertar sobre o sono do autran, até porque esse é um dos motivos desse blog estar às traças - a falta de um sono regular disseminou qualquer resquício de raciocínio além da sobrevivência básica.

é uma da manhã e ele está pulando na cozinha, com seu pijaminha de dinossauros e sua touca de ursinho (objeto de transição do momento). pula e grita: "futas! futas! futas!"
frutas. uma hora dessas.
"mas você já jantou e comeu maçã, filho!"
"futas!"
"tá, o que você quer?"
"banana"
"banana acabou, não tem mais"
"batata!"
"também não tem"
"kiwi"
"acabou"
"abacaxi"
"vish, esse também não tem!"
"tchéwi" (cherry - cereja, que na verdade pra ele é morango)
"meu deus, autran!"
comecei a me sentir relapsa. acabaram todas as frutas e eu nem percebi?

"quer mais maçã? maçã tem"
"tomati"
"ufa, esse tem"

corto um tomate em 8 pedaços, dou pra ele e ele leva pra cama.
é, ele come na cama, antes de dormir.
ao lado, num cantinho, um pedaço de pão de forma integral - que foi o pedido de ontem.

cansada demais pra protestos.
come o tomate na cama.

boa noite, notívago.

16 de nov de 2015

MANHÊ!

autran completou 2 anos e 3 meses dias atrás. vinte e sete meses de vida.
ele é uma figurinha. ao mesmo tempo que vejo tanto da luana nele, percebo também uns comportamentos tão dele, tão únicos. os mais marcantes são as obsessões.

normal crianças de 2 anos terem obsessões, né (acho).
autran começou com as letras do alfabeto. desde que ele aprendeu a mexer no ipad, ele vai direto no youtube e, de alguma forma, achava vídeos pra crianças em fase de alfabetização. hoje em dia é a coisa mais fácil, visto que no youtube do ipad praticamente só se assiste isso, é a única coisa que aparece na página principal.

depois foi a fase das cores.
depois a fase dos números.
agora estamos na fase das formas geométricas e não tão geométricas.

e ele simplesmente não fica só vendo e revendo videos ensinando as letras, cores, números e formas. ele fica caçando tudo que remete à alguma coisa nesse sentido ao seu redor. andar na rua com ele é um espetáculo. ele aponta pra tudo e fica falando letras que vê, cores que vê, números que vê e as formas que vê.
tipo assim, o tempo todo. não tou brincando, o tempo todo.

em casa, a coisa toma proporções ainda maiores.
ele tem um quebra-cabeça de madeira com as formas coloridas e, adivinhem, é o seu brinquedo favorito no momento (mais que a boneca da elsa).


ele senta no sofá com o tabuleiro no colo e fica pegando pecinha por pecinha e falando "manhê! etchi cãrco (esse circle)" e EXPERIMENTA não responder, experimenta responder sem ligar muito, mexendo no celular... é uma gritaria até você olhar pra ele e dizer "oi filho, ah sim, um circle".
é bonitinho, até ele não deixar você conversar com mais ninguém.

outra coisa que ele faz é carregar as peças pra todo lado.
pra comer, pra mamar, pra tomar banho e até pra dormir.
acordar com um hexágono cutucando suas costas, quem nunca?



os dois anos são famosos pela crise do terrible two.
ao mesmo tempo, uma espiada na fase deliciosa que vem em seguida.



26 de ago de 2015

a odisséia.

o itinerário era simples: banco e correio.
uma saída rápida, no meio da manhã, pra tarde poder ficar entre colos, just dance e trabalho sobre a situação sociolinguística do paraguai.
pus autran no carro e fomos.

aquela coisa de nunca achar estacionamento e de, quando achar, não ser capaz de fazer a baliza.
apelei pro estacionamento em diagonal e, pro meu azar, era bem em frente ao parquinho que costumo levar o autran aos domingos. droga. ele começou a gritar de felicidade dentro do carro, jogou o bichinho vesgo que ele carrega pra todo canto no chão e quis sai pulando. "não filho, hoje não... mamãe tá com pressa... hoje não dá". peguei ele no colo e atravessei a rua, na direção oposta do parquinho. daí começou a gritaria.
quem já carregou toddler de dois anos gritante e esperniante, em pleno chilique, na rua, sabe do que eu tou falando.

entrei na agência e ele se acalmou. começou a correr pra todo lado, pulando, gritando. mudou da água pro vinho. atualização do sistema e me deixam UM caixa disponível pra saque durante a manhã de um dia útil, claro que a fila era imensa. deixei o menino se divertir.
pegou um envelope de depósito, sentou no chão e começou a rasgar em tiras finas. é ele treinando a coordenação motora fina, que bonitinho. daí pegou outro. e depois outro. no quarto eu já não achava tão bonitinho. juntei o montinho de tiras rasgadas bem fininha e trouxe ele pra perto de mim.
ele voltou a pular e correr.
chegou perto de uma moça que estava pagando contas e simplesmente pegou a carteira dela de cima do apoio no caixa eletrônico. corri.
peguei ele no colo.
era quase a minha vez.

a moça que ajuda o pessoal perdidão lá nos caixas eletrônicos me perguntou se podia passar na minha frente pra imprimir seilaoque-é-rapidinho. "não, não pode. só vou sacar, é mais rápido ainda". porfa.

banco ok. voltamos pro carro. mais gritaria porque viu o parquinho e se lembrou que tava muito muito bravo e lá vem um pouco de choro enquanto eu me dirigia ao correio. mas logo acabou, né. liguei o som e ele começou a dançar, etc.

na agência, ufa, vaga grande bem na frente.
entrei na agência, ufa, só duas pessoas na minha frente.
sentei o autran no banco, mas não, queria continuar correndo, gritando, rindo. todo mundo acha lindo, acha fofo. mas dá 1 segundo de descuido e esse menino ta na porta da agência indo pra rua. alcanço. ele tenta fugir de novo, alcanço. na quinta vez eu fico na porta da agência e não deixo ele sair. ele acha divertido, corre e ri tanto que cai no chão.
me chamam. sento ele no balcão e ele começa a se riscar com a caneta. desenho um relógio no pulso dele. nhó.

ele aperta um botão na máquina da moça e algo começa a imprimir.
ela ri e diz que tem uma filha de dois anos também. ufa, alguém ali me entendia.
autran começa a querer papéis, coisas importantes e acabo dando um grampeador pra ele brincar.

quando estou colocando o troco na carteira, ele atira o grampeador com força no chão.
que se quebra em 4 partes.
desço ele do balcão e começo a catar os pedacinhos do grampeador e quando levanto a cabeça, onde ele está?
na porta da agência.
dou o grampeador quebrado pra moça, peço desculpas e saio correndo.

consigo pegar ele na beira do meio-fio, quase indo pra rua.
coloco ele no carro, ligo o som, ele fica olhando pela janela e "cantando".

e eu pensando que puta mundo injusto e que não entende ABSOLUTAMENTE NADA de crianças quando dizem que criança de dois anos não merece fila preferencial.