17 de out de 2010

pedaços de uma ausência.




e o plus é essa foto, tirada esse final de semana:

acho que daria pra guardar a luana dentro desse algodão-doce ~nham~

10 de ago de 2010

de provas a unicórnios.

jurei que não ia ficar falando disso.
eu meio que peguei um trauma de vestibular por causa dos anos a fio perdidos em cursinhos, fazendo provas pra cursos concorridissimos em uma universidade de alto nível.
eu sou uma pessoa que fez o 1/3 segundo grau em um supletivo, e por mais que meu histórico escolar seja de um colégio particular, foi só camaradagem dos professores em darem uns pontos a mais praquela aluna mediana terminar logo o ensino médio.
daí me deparei com provas horríveis e concorrências de 230 candidatos por vaga.
vamos combinar que eu não sou tão inteligente assim. posso ler bastante, e tal, mas isso não ajuda em nada quando se tem que acertar pelo menos 85% de uma prova de química. sem contar que eu sou daquelas que entra em pânico na hora da prova, da branco, da caganeira, suadouro, tremedeira e tudo mais.
e eu também era novinha, não sei onde estava com a cabeça em insistir num curso que, vendo hoje, não tem nada a ver comigo.

então desisti de tentar.
fui cuidar da minha filha, do marido, da vida em família e da minha sanidade.
confesso que me sentia mal e "atrasada" em ver minhas amigas terminando faculdade, fazendo pós, mestrado etc, enquanto eu não fazia nada.

mas sendo bem sincera, agora, acho que essa pausa foi essencial.
hoje eu tenho 26 e anos, sei muito bem das minhas fraquezas, dificuldades e limitações. sei o que eu quero, gosto e tenho afinidade. estou bem segura, bem decidida e bem diferente de anos atrás, quando vestibular era uma obrigação.
e tudo que vira obrigação perde a graça.
claro que comigo ainda rola muita cobrança, afinal a minha geração foi criada pra se formar, trabalhar e ser bem sucedido. e não pra casar e ter filhos.

mas aí estou eu, novamente indo pra cursinho. essa coisa que me mata o orgulho e a paciência. alguém avisa aos professores de cursinho que eles não são tão engraçados, pls?
aqui em palotina só tem um colégio oferecendo curso pré-vestibular. numa sala de mais ou menos 30 alunos, 99% é molecada que ou acabou de sair do ensino médio ou ainda vai terminar. além de mim, pude identificar só mais uma mulher que não nasceu nos anos 90 (esses dias um professor perguntou se alguém lá já brincou de lego. silêncio mortal. me senti idosa), mulher aliás que - caso eu volte a postar sobre esse assunto - vou chamar de tia efusiva.
sabe aquelas tias efusivas que TEM que comentar alguma coisa sobre tudo? comentários super pertinentes (não) e engraçadissimos (não)? que a sua vontade é virar pra trás de falar um sonoro CALABOCA (sim, porque eu tenho a sorte de sentar na frente dela)?

vai ser um longo semestre.

1 de ago de 2010

30 de jun de 2010

sabor a mí.

fui andando devagar até a ultra. subi pela rua galiano. comi um pão com croquete e bebi um refresco aguado numa barraquinha do governo. dizem que há epidemia de conjutivite, hepatite e não sei o que mais. fecharam as barracas dos particulares. o verão esta terrível. sol ardente e umidade. os micróbios pulam de felicidade e procriam. todo mundo com diarréia, amebas, giárdias. ah, o trópico! lindo para se vir visitar por uma semana e admirar o crepúsculo de um ponto distante e silencioso, sem se misturar muito.

(pedro juan gutiérrez.)

19 de jun de 2010

louca.

se eu ficasse louca tudo isso seria o quê? pra onde iriam os materiais e as pessoas e o amor? e se eu ficasse louca? quem iria me ver babar num canto de um hospital? existe louco em casa? mãe ama os loucos? louco tem amigo? louco tem livro plastificado? louco começa e não para mais até acabar? louco uma vez, louca pra sempre?
converse. respire. pense em garotos. pense em xampus. vamos. não fique louca. mude de assunto. pense na menina mais bonita do mundo e odeie. dê nome pra loucura que ela deixa de ser. sinta dor com nome que assusta menos. caia na aula de educação física, rale o joelho, sangre, dói menos. desembarace os cabelos e sinta que problemas se alisam. faça o papel do bis virar um barquinho. isso. conte uma piada. se os outros rirem bastante. se a sua estranheza puder ser amada.
qualquer coisa menos loucura.

17 de jun de 2010

meme literário: 10 livros.

e de novo eu vou no blog da ju e encontro um meme irresistivel.
porque juntou duas paixões minha: meme e literatura.

a brincadeira é simples: 10 livros em 10 dias.
como aquela brincadeira do meme musical encheu o saco, decidi (assim como a ju fez, e muitas outras blogueiras) colocar tudo num post só.
pra manter a sanidade e não espantar leitores ;D


pra saber de que livro estou falando, só passar o mouse em cima da imagem, ok?


#01 - o livro que você mais gostou:

o romance da desesperança do sonho americano.

é exatamente isso esse livro. é bem pequeno - na minha versão pocket, tem 135 páginas - e conta história de dominic molise. um menino de 17 anos que mora no colorado, filho de um pedreiro e de uma dona-de-casa (os dois imigrantes italianos), que sonha em fugir pra califórnia e se tornar uma estrela no baseball.
acho que esse é um dos únicos - senão o único - livro do john fante onde o protagonista não é arturo bandini. mas dominic e arturo tem uma certa semelhança: são azarões, só fazem merda.
o pai de dominic trai a mãe, pede segredo ao filho mas mesmo assim desdenha dos seus sonhos, querendo que ele tenha a vida medíocre que o pai tem. suporta sua avó ranzinza, seus irmãos pentelhos e é apaixonado por dorothy, uma menina rica, irmã do seu melhor amigo.
gostei demais desse livro por ser cortante, ter um final tão angustiado. a gente torce por dominic, mesmo vendo claramente as impossibilidades da sua vida.


#02 - o livro que você mais odiou:

olha, eu juro que tentei. li on the road e achei médio, mas nunca falei nada porque a legião de fãs desse livro é tão grande que era capaz de eu morrer no dia seguinte. ás vezes eu vejo algum mérito no jack kerouac, mas esse livro quase matou o gosto que tenho por ele. e foi um dos únicos livros que eu não gostei que li inteiro.
ele mostra o aspirante a escritor ray smith. ray anseia algo mais da vida, e um dia conhece japhy rider, um zen-budista adepto ao montanhismo que vive alheio à sociedade consumista e do capitalismozzzzzzZZzzzzZZZz
daí tem algumas festas, bebedeiras, orgias zen-budistas, viagens e saraus poéticos. e divagações sobre uma vida iluminada, uma sabedoria superior de quem é otimista, tranquilo e bla bla bla.
é isso.
fim.


#03 - o livro mais barato que você comprou:

eu juro que não lembro exatamente quanto paguei nesse livro.
mas eu lembro como foi: eu estava no terceiro ano do segundo grau, era um colégio particular onde a gente fazia prova no período da tarde (ao invés de perder aula fazendo prova). era uma sexta-feira, eu saía do colégio perto do meio-dia e a prova seria tipo uma e meia. não ia dar tempo de ir em casa e voltar, então eu resolvi almoçar no centro da cidade e zanzar por aí até dar o horário. entrei numa papelaria e vi esse livrinho lá. devia custar algo em torno de R$5,00 (senão menos). comprei, e lembro que o li inteiro, numa respirada só, enquanto almoçava numa lanchonete de saneamento duvidoso mas que tinha uma ótima torta de frango.
ele é bem pequeno e eu não me lembro muito bem sobre ele. porque eu li naquele dia, na lanchonete (em 2002), e nunca mais abri novamente. por isso, peço licença à lílian alcântara e colo um pedaço do que ela escreveu sobre ele no blog cabeceira digital: capítulos curtos e de cenas previsivelmente cinematográficas compõe as 124 deliciosas páginas. um velho magnata chinês, ming, dono de uma marca de absorventes, e, suas várias mulheres que sempre o trocam por outras ânsias sexuais; isidra, aos 70 anos, convencida de que tem 30; raimunda, sobrinha neta de isidra, e seus vários amores; eulália, que nega sexo ao seu marido roque, enquanto "faz um esforço danado para que todos os problemas do mundo sejam seus".


#04 - o livro mais caro que você comprou:

eu não li.

já começo dizendo isso: não li, e talvez nem vá ler.
quem comprou esse livro-bíblia (988 paginas) foi o moisa. ele gosta muito das obras do dostoiévski, já leu muita coisa do autor e sobre o autor.
ele comprou esse livro na saraiva. na época ele pagou R$98,00 e hoje você pode tê-los por incríveis R$77,00.
nós não compramos livros caros, alias, eu não acho livro uma coisa cara. só os livros de direito que o moisa compra, tem uns lá de R$200,00.
"meus" livros geralmente eu compro em sebo, ou suas versões pocket que são bem mais baratas.
obviamente não vou comentar nada sobre a historia do livro.
:)


#05 - o livro que mais te fez ter a atenção nele:

pus esse porque eu o li em dois dias. achei a história maravilhosa e muito emocionante.
gosto dessas historias de pessoas distintas que se cruzam em algum momento. e uma parte, em especial me fez chorar (sim, eu choro lendo livros so bonita?) e eu vou contar porque adoro um spoiler. se voce ainda não leu ou não quer saber, pule pro próximo item :)
o livro começa contando a historia de mariam, uma filha bastarda de um dono de cinema na cidade de herat. ela e a mãe viviam isoladas num casebre a 1 km da cidade, e recebia semanalmente a visita do pai. este era amoroso e lhe contava histórias dos filmes que ele passava no seu cinema. quando mariam fez 15 anos, pediu ao pai que a levasse pra assistir "peter pan" no seu cinema. o pai não quis e acalmou a menina dizendo que no dia seguinte iria até lá para busca-la e ver o filme. fato é que o pai de mariam nao apareceu, e ela decidiu ir sozinha em busca dele. como o pai era um comerciante conhecido na cidade, foi fácil achar sua casa: uma mansão, onde morava com as três esposas e os 10 filhos. seu pai nao quis recebê-la, mariam dormiu na rua e nesse dia começou a desgraça da sua vida, que a levaria pra um casamento forçado com um homem de 45 anos, a mudança pra cabul, as surras, as humilhações e a solidão.
pro post não ficar muito grande, pulo logo pra parte que me emocionou: no final do livro, a única amiga de mariam e segundo esposa do seu marido, laila, vai até herat tentar encontrar o pai de mariam. infelizmente o velho já havia morrido a muito tempo, mas tinha deixado uma pequena caixa com um amigo, que deveria ser entregue a mariam caso ela o procurasse. dentro da caixa havia dinheiro, uma carta linda e uma fita de video. laila viu o conteúdo da fita de video e não entendeu, não conseguia compreender porque que o filme PETER PAN significaria algo para mariam.
:~~~~~~~~~~~~~


#06 - o livro que menos te fez ter a atenção nele:

não me matem.
geralmente é dificil eu não dar atenção a um livro. se não ta me seduzindo, eu paro de ler e vou pro próximo.
esse eu lembro que estava na casa da minha sogra, sem nada pra fazer. comecei a ver a estante de livros dela e achei um encapado com papel de presente. folheei e vi que era uma versão para o teatro do diário de anne frank. comecei a ler ser muita importancia e a hora que vi ja tinha terminado.
achei tão... bobo. sei la.
não sei se quero ver "versao normal" do livro.


#07 - o livro que você mais recomenda:

esse livro é catalogado como infanto-juvenil. eu li quando tinha uns 22 anos e chorei horrores.
conta a história de uma turma de crianças, a sociedade do betume, que eram "donas" de um terreno baldio na rua paulo, onde todos moravam. as obrigações da sociedade era manter o betume - símbolo deles - sempre molhado e defender o territorio que usavam pra jogar uma espécie de tenis e brincar de exercito.
até que outra "gangue", os camisas-vermelhas, declaram guerra a sociedade do betume. uma guerra munida a bombas de areia e gritos de liberdade.
parece bobo mas é lindo lindo lindo.
recomendo essa resenha, que encontrei quando li o livro pela primeira vez. e continua sendo a mais bela e verdadeira resenha já feita, desse belo e verdadeiro livro.
*shuif*


#08 - o livro que você menos recomenda:

difícil essa de não recomendar livros. porque né, vai do gosto de cada um.
escolhi esse porque tem uma historia engraçada. eu comecei a ler o livro e não consegui terminar. nao gostei do jeito surreal dele e daquela narração initerrupta. me perdia.
o moisa perguntou se era bom e eu disse que não. que ele nao iria gostar, que era meio nauseante.
mesmo assim o moises leu.
e adorou :s

ps - não pus imagem porque não achei uma foto da capa do livro que tivesse um tamanho decente. e preguiça monstra de escanear :/


#09 - a série que você mais gosta:

eu tenho uma coisa a dizer a coleção vaga-lume: coraçãozinho esse dois esse dois amul muito ^.^
hahahaha
falando sério agora, eu sempre gostei muito de ler. desde pequena. eu quando se é infanto-juvenil, nada melhor do que essa série pra pegar mais gosto ainda.
fiz muitas provas de livros dessa coleção na escola, e vários deles li por conta própria. meu sonho sempre foi ter a coleção inteira :~
meus preferidos são: tonico e carniça, o menino de asas, a turma da rua quinze, um cadáver ouve rádio e açúcar amargo.


#10 - o livro mais velho que você tem ou leu:

nesse item eu fiquei na dúvida. não sabia se era o livro mais velho no sentido de escrito a mais tempo atrás ou mais velho no sentido físico. fiquei com a primeira opção, até porque a segunda era de um livro que eu não terminei.
a historia todo mundo sabe, né? o rodion raskolnikov, um jovem pobre e perturbado mata uma velha de quem ele alugava um quarto. ele foge, e passa por altas aventuras e tremendas confusões. um clássico. acho que todo mundo já sabe o enredo do livro. que já foi inspiração pra filme nacional, até.
foi escrito em 1866. isso quer dizer que a historia tem uns 144 anos.
na minha cabeça, é o mais antigo livro que li.

a segundo opção - o livro mais velho fisicamente que eu tenho - é uma edição de ana karenina do tolstoi. a historia é um pouco mais nova que crime e castigo, de 1873. a edição que temos aqui é de 1958, tem cheiro de livro velho e me da dor de cabeça.
:)

15 de jun de 2010

não conheço a evinha

não conheço nenhuma evinha do pó
nem vendo droga
também não fui presa na riachuelo
foi sim na santos andrade
eu tava passando mal
me sentei ali na calçada
não tinha droga comigo não senhor
chegou um tira
foi logo me apertando a garganta
caí de costas sem sentido
acordei peladinha e descalça no meio da rua
eles falaram pra me acalmar
eram só de conversa
daí o chefia disse que tava presa
botou pulseira me trouxe pra cá
bateram com raiva lá na praça
pra que eu apontasse a tal evinha
não mexo com droga não quero saber
falaram que ia ficar presa
ja tive outro processo mas fui solta
agora não me livro assim fácil
o juiz é da condena
uma capa preta da mesma cor do coração
nunca lidei com pó e pedra não senhor
to grávida de sete pra oito meses
mas não posso ter parto normal só cesariana
da última vez que fiquei na cadeia
o bebê morreu na barriga
judiação
o tadinho passou da hora de nascer.

(dalton trevisan)

5 de jun de 2010

porque jamais serei critica de cinema.

pra quem não sabe, eu e algumas amigas temos um outro blog temático.
falamos de filmes. assim, descompromissadamente.
filmes por quem gosta de filmes. sem analisar coisas técnicas ou mensagens que quase ninguem vê (ou quer ver). a gente vê, gosta - ou não - e fala sobre.
tipo um clube do livro.

alias, sempre quis fazer parte de um clube do livro.

raramente eu falo desse outro blog aqui. até hoje não sei bem porque.
mas agora vou começar a fazer isso.

hoje postei sobre o desenho as bicicletas de belleville, que vi uns dias atras.
filmes lindo, encantador, caricaturesco e silencioso.

tive conhecimento dele por causa de uma música.
há um tempo atrás, perdi todas as mp3 do meu computador, e como quem tem amigos tem mp3, muita gente começou a me mandar música pelo msn. no meio delas estava belleville rendez-vous, do mathieu chédid.
foi paixão instântanea. comecei a procurar mais coisas do artista, mas o estilo dele não me agrada muito. então ouço só essa no repeat.
daí vi que fazia parte de uma trilha sonora de um filme. achei as imagens tão cativantes e a história idem... resolvi baixar pra ver.

vale a pena conferir :)


clique na imagem e seja levado magicamente por unicórnios-robôs ao post mencionado ^.^

31 de mai de 2010

cidade do sol.

- voce não... mammy, tenho medo que...
- pensei nisso, na noite em que recebi a noticia - disse-lhe a mãe - não se vou mentir para você. e continuo pensando nisso. mas, não, não se preocupe, laila. quero ver o sonho dos meus filhos se tornar realidade. quero ver o dia em que os soviéticos vão voltar para casa derrotados, o dia em que os mujahedins vão entrar em cabul, vitoriosos. quero estar aqui quando isso acontecer, quando o afeganistão voltar a ser livre, pois assim os meninos vão ver isso tambem. vão ver essas cenas através dos meus olhos.

logo depois, mammy pegou no sono, deixando laila dominada por emoções conflitantes: por um lado, o alívio de saber que a mãe pretendia continuar viva; por outro, a dor de saber que não era por SUA causa.
nunca deixaria a sua marca no coração de mammy, como seus irmãos tinham deixado, porque aquele coração era uma espécie de praia desbotada onde as pegadas da menina seriam sempre apagada pelas ondas de tristeza que se erguiam e quebravam, se erguiam e quebravam.

(khaled hosseini)

26 de abr de 2010

amor.

no fundo, ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. e isso um lar perplexamente lhe dera. por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. o homem com quem se casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade e alegria. o que sucedera a ana antes de ter o lar estava para sempre fora de seu alcance: uma exaltação perturbada que tantas vezes se confundira com felicidade insuportável. criara em troca algo enfim compreensível, uma vida de adulto. assim ela o quisera e o escolhera.

(clarice lispector)

16 de fev de 2010

carnaval de 2006.


eu, luana, paula e roméia.

14 de fev de 2010

atrevida.

5 de fev de 2010

carta aberta para um amigo além-mar.

hoje em dia a tendência é banda cover de música ruim. barrigudinhos de 30 anos que não viveram adolescência, tentam recuperar tempo perdido. adolescente difusos pegam nostalgia emprestada - zumbis de olhar ermo, mendigando sentido.
sabe aquela música do bob dylan, "people are crazy and times are strange"? não chego a ficar raivoso como antes. voce deve se lembrar como eu era, chico. hoje só consigo sentir vazio e pena.
uma enorme pena de todos nós.
dos coroas filtrando o chope dentro de suas enormes barrigas, das moças e marombados feitos de lycra, dos chatos da estação botafogo, das minicelebridades da internet compartilhando solidão em diários insossos, da galera se esgoelando ao som da novidade de 20 anos atrás, dos velhos jornalistas e sua boêmia enlatada, dos novos jornalistas, sem sonho ou estofo, e dos jovens e velhos escritores, compulsivos, mascando palavras e mascarando vaidades.

(joão paulo cuenca)

10 de jan de 2010


conservamos nossa felicidade
em um pote de cerejas.
continuamos fazendo essas perguntas
cirúrgicas.
gostaria de responder, se pudesse.
poderia escolher outra vez.
viver em pedacinhos
em pequenas doses de
cefaléia.
viver
devagar...

centopéias.

4 de jan de 2010

doismilenove.

nas primeiras horas de 2009, eu sofri uma tentativa de assalto.
às 2 da manhã em maringá, andando pelas ruas com minha irmã caçula. chegaram por trás de bicicleta, pegaram minha bolsa e tentaram sair pedalando. mas eu segurei firme, lá dentro estava a vida da minha mulherzinha interior - câmera, maquiagens, celular, agendinha, cacarecos. houve uma luta de segundos, eu caí - segurando a bolsa, o cara desistiu, minha irmã gritava, eu xingava. saímos correndo.
eu ralei o joelho, minha irmã quebrou a unha.
depois disso, dançamos até amanhecer na boate gay moderninha.

em 2009 eu saquei a vida de quem trabalha-e-estuda. de sair de casa as 7:30 e chegar 23:45. eu saquei a vida de quem só vê os filhos nos finais de semana. naqueles finais de semana que você so quer dormir, mas tira energias da bunda pra brincar, rir, ver dvds da xuxa, ir na pracinha e tomar sorvete.
em 2009 eu não passei no vestibular que queria (queria?), nem fui atrás de auto-escola (pra acabar com a vergonha da minha vida - eu nao sei dirigir), nem fui a funcionária exemplo no emprego certo pra pessoa errada. e senti o gostinho amargo de uma demissão. vivi de seguro-desemprego. distribuí tantos currículos que renderam ofertas de vagas até dois meses atrás.

em 2009 fui em festinhas de ver raiar o dia, showzinhos tão agradáveis quanto as companhias.
bebi menos, fumei mais. cantei muito em karaoke. e sozinha. e dentro de carros, queimando gasolina na gélida noite curitibana.
tive meus documentos, cartões, celulares roubados. no assalto mais mal explicado e mal resolvido.

em 2009 eu vi amigas se apaixonarem, se desencantarem, vi meu primo-solteiro-convicto se casar. morri por dentro vendo amigas sendo magoadas, pelas pessoas e pela vida.
não vi minha filha aprender a ler, mas ouvi, quando ela leu a primeira frase pra mim no telefone.
tive uma breve e promissora carreira de guitar-hero/rock band. descobri joguinhos online que me fizeram perder a alma.
vi minha irmã 7 anos depois. mais casada, mais gordinha, com um cachorro peludo no colo. mas a mesma voz, a mesma risada.

em 2009 meu sorriso se abriu mais, mas o casulo abriu menos.
não chorei por novas pessoas, mas pela mesma de sempre. briguei muito, perdoei muito. fui perdoada muito.
continuei descobrindo o mundo sozinha, e descalça (aquele mundo de asfalto e sem coração).
e entendi que abrir caminho às cotoveladas só faz eles se fecharem mais rapidamente.

em 2009 mudei de casa, saí daquele apartamento que hoje só me trás lembranças doce-amarguinhas: dos cigarrinhos na sacada, na garagem e no portão. era só interfonar (comunicação entre condôminos, acho prático) e pronto. meu quarto sendo na sala, de ver televisão até cair no sono. das discussões de horas e dias. de ter tudo perto, fazer tudo a pé. dos gritinhos das crianças da escola primária em frente. do incêndio da boca-de-fumo. do saxofonista do domingo. da brisa da janela. da vontade de gritar, e se jogar do terceiro andar. da solidão.

em 2009 mudei de cidade. a cidade que sempre me ampara nas grandes fases de transições. deixei as árvores, o calor, as ruas familiares e prósperas pra trás. toda aquela relação de amor-ódio. talvez seja porque nos conhecemos demais, embora não tenha passado tanto tempo por lá. mas sempre foi intenso. ansioso e lento. e cada temporada encontro gente que carrego aqui dentro. novos e velhos amigos.
porque em 2009, eu fortaleci amizades. e enfraqueci algumas. dei de cara várias vezes com meus monstros. em casa sozinha, em bares com amigos.

em 2009 eu engordei o que perdi em 2008. aliás, eu ganhei de volta muita coisa que perdi em 2008. e a melhor de todas elas foi o amor-próprio.
e o homem da minha vida.



não sei o que desejar pra 2010.
2009 não foi nada do que eu esperava: me ferrei, me lasquei, me feri. mas no final, o saldo foi positivo.
o mundo continua sendo de asfalto, sem coração.
o que mudou foi eu. de toda aquela amargura e desilusão, das fugas e dos esconderijos, das máscaras e das mentiras de auto-defesa. tudo isso ainda esta aqui dentro. em algum lugar, trancado.
sendo transformado em auto-controle, paz de espírito, força de vontade e positivismo.

porque o que 2009 mais me mostrou foi que chafurdar na própria lama só faz ela aumentar, e cair em cima da gente novamente.
pra mudar isso, tem que levantar sozinha.
feroz.
e violenta.


feliz ano novo!