25 de mar de 2009

o mesmo.

o calor, a falta de interesse e ânimo e a preguiça.
todos juntos.

fomos na lanchonete mais duvidosa, mas era perto. e barato.
x-salada duvidoso mais uma tubaína duvidosa. por duvidosos R$ 2,50.

sentamos nas cadeiras de madeira e desconfotáveis, nas mesas altas demais pra comer.
de frente a uma televisão tão velha quanto eu.
que mal tinha imagem. mas havia som, e pra quem quer comer ali, sem pensar na procedência da comida ou do que eram as manchas no avental da garçonete, era o suficiente.

passava o programa local preferido de todo mundo.
e falavam do rapaz "cheio de alegria" e "de bem com a vida", que acidentalmente apertou o botão do elevador, e acidentalmente a porta se abriu e ele ignorou aquele recado medonho na porta do elevador, e não teve a certeza de que o mesmo se encontrava parado no andar.
entrou.
e caiu.
e morreu.

e a colega comentou que a empresa do elevador iria se ferrar.
e eu comentei de que aquela lanchonete parecia de beira de estrada.

os velhos comiam lentamente seus PFs, que na verdade vinham em bandeijões.
mulheres de roupas baratas e de mal gosto comiam pão com queijo e margarina.
estudantes de mochilas pintadas de errorex se sacudiam pra comer coxinhas.

mas todos se arrastavem esperando o tempo e a vida passar.
ao sair, quis ver um pé de serra, e uma rodovia, e um acostamento, e um nome santo na fachada da lanchonete.

mas na verdade, só vi a avenida brasil e seu barulho e sua sujeira e os cartazes do maringá liquida.