o calor, a falta de interesse e ânimo e a preguiça.
todos juntos.
fomos na lanchonete mais duvidosa, mas era perto. e barato.
x-salada duvidoso mais uma tubaína duvidosa. por duvidosos R$ 2,50.
sentamos nas cadeiras de madeira e desconfotáveis, nas mesas altas demais pra comer.
de frente a uma televisão tão velha quanto eu.
que mal tinha imagem. mas havia som, e pra quem quer comer ali, sem pensar na procedência da comida ou do que eram as manchas no avental da garçonete, era o suficiente.
passava o programa local preferido de todo mundo.
e falavam do rapaz "cheio de alegria" e "de bem com a vida", que acidentalmente apertou o botão do elevador, e acidentalmente a porta se abriu e ele ignorou aquele recado medonho na porta do elevador, e não teve a certeza de que o mesmo se encontrava parado no andar.
entrou.
e caiu.
e morreu.
e a colega comentou que a empresa do elevador iria se ferrar.
e eu comentei de que aquela lanchonete parecia de beira de estrada.
os velhos comiam lentamente seus PFs, que na verdade vinham em bandeijões.
mulheres de roupas baratas e de mal gosto comiam pão com queijo e margarina.
estudantes de mochilas pintadas de errorex se sacudiam pra comer coxinhas.
mas todos se arrastavem esperando o tempo e a vida passar.
ao sair, quis ver um pé de serra, e uma rodovia, e um acostamento, e um nome santo na fachada da lanchonete.
mas na verdade, só vi a avenida brasil e seu barulho e sua sujeira e os cartazes do maringá liquida.
25 de mar. de 2009
21 de mar. de 2009
ei, você que já esteve no céu...
foi tudo divertido prá você? chegou a hora então de provar tudo que existe.
tire agora os sapatos, jogue tudo pro alto.
sinta o chão...
e aprenda a andar descalço num mundo de asfalto.
e sem coração.
tire agora os sapatos, jogue tudo pro alto.
sinta o chão...
e aprenda a andar descalço num mundo de asfalto.
e sem coração.
28 de fev. de 2009
absurdos me fariam feliz.
despir a consciência das dores morais
jogar uma vaca do décimo andar
viajar sob a lua que varre os sertões
uma ostra chilena, um beijo em paris
se cortasse o cabelo e mudasse o nariz
se vital escrevesse a constituição
se eu nunca quisesse quem nunca me quis
ser dois e ser dez e ainda ser um
se a vingança apagasse a dor que eu senti
ser seco, ser reto, isento à moral
se eu nunca lembrasse o estrago que eu fiz
tudo isso me faria feliz
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