Mostrando postagens com marcador dear diary. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dear diary. Mostrar todas as postagens

29 de jun. de 2016

de quando deveríamos estar com as compras em dia. ou o curioso apetite do meu filho.

é uma da manhã.
não irei dissertar sobre o sono do autran, até porque esse é um dos motivos desse blog estar às traças - a falta de um sono regular disseminou qualquer resquício de raciocínio além da sobrevivência básica.

é uma da manhã e ele está pulando na cozinha, com seu pijaminha de dinossauros e sua touca de ursinho (objeto de transição do momento). pula e grita: "futas! futas! futas!"
frutas. uma hora dessas.
"mas você já jantou e comeu maçã, filho!"
"futas!"
"tá, o que você quer?"
"banana"
"banana acabou, não tem mais"
"batata!"
"também não tem"
"kiwi"
"acabou"
"abacaxi"
"vish, esse também não tem!"
"tchéwi" (cherry - cereja, que na verdade pra ele é morango)
"meu deus, autran!"
comecei a me sentir relapsa. acabaram todas as frutas e eu nem percebi?

"quer mais maçã? maçã tem"
"tomati"
"ufa, esse tem"

corto um tomate em 8 pedaços, dou pra ele e ele leva pra cama.
é, ele come na cama, antes de dormir.
ao lado, num cantinho, um pedaço de pão de forma integral - que foi o pedido de ontem.

cansada demais pra protestos.
come o tomate na cama.

boa noite, notívago.

26 de ago. de 2015

a odisséia.

o itinerário era simples: banco e correio.
uma saída rápida, no meio da manhã, pra tarde poder ficar entre colos, just dance e trabalho sobre a situação sociolinguística do paraguai.
pus autran no carro e fomos.

aquela coisa de nunca achar estacionamento e de, quando achar, não ser capaz de fazer a baliza.
apelei pro estacionamento em diagonal e, pro meu azar, era bem em frente ao parquinho que costumo levar o autran aos domingos. droga. ele começou a gritar de felicidade dentro do carro, jogou o bichinho vesgo que ele carrega pra todo canto no chão e quis sai pulando. "não filho, hoje não... mamãe tá com pressa... hoje não dá". peguei ele no colo e atravessei a rua, na direção oposta do parquinho. daí começou a gritaria.
quem já carregou toddler de dois anos gritante e esperniante, em pleno chilique, na rua, sabe do que eu tou falando.

entrei na agência e ele se acalmou. começou a correr pra todo lado, pulando, gritando. mudou da água pro vinho. atualização do sistema e me deixam UM caixa disponível pra saque durante a manhã de um dia útil, claro que a fila era imensa. deixei o menino se divertir.
pegou um envelope de depósito, sentou no chão e começou a rasgar em tiras finas. é ele treinando a coordenação motora fina, que bonitinho. daí pegou outro. e depois outro. no quarto eu já não achava tão bonitinho. juntei o montinho de tiras rasgadas bem fininha e trouxe ele pra perto de mim.
ele voltou a pular e correr.
chegou perto de uma moça que estava pagando contas e simplesmente pegou a carteira dela de cima do apoio no caixa eletrônico. corri.
peguei ele no colo.
era quase a minha vez.

a moça que ajuda o pessoal perdidão lá nos caixas eletrônicos me perguntou se podia passar na minha frente pra imprimir seilaoque-é-rapidinho. "não, não pode. só vou sacar, é mais rápido ainda". porfa.

banco ok. voltamos pro carro. mais gritaria porque viu o parquinho e se lembrou que tava muito muito bravo e lá vem um pouco de choro enquanto eu me dirigia ao correio. mas logo acabou, né. liguei o som e ele começou a dançar, etc.

na agência, ufa, vaga grande bem na frente.
entrei na agência, ufa, só duas pessoas na minha frente.
sentei o autran no banco, mas não, queria continuar correndo, gritando, rindo. todo mundo acha lindo, acha fofo. mas dá 1 segundo de descuido e esse menino ta na porta da agência indo pra rua. alcanço. ele tenta fugir de novo, alcanço. na quinta vez eu fico na porta da agência e não deixo ele sair. ele acha divertido, corre e ri tanto que cai no chão.
me chamam. sento ele no balcão e ele começa a se riscar com a caneta. desenho um relógio no pulso dele. nhó.

ele aperta um botão na máquina da moça e algo começa a imprimir.
ela ri e diz que tem uma filha de dois anos também. ufa, alguém ali me entendia.
autran começa a querer papéis, coisas importantes e acabo dando um grampeador pra ele brincar.

quando estou colocando o troco na carteira, ele atira o grampeador com força no chão.
que se quebra em 4 partes.
desço ele do balcão e começo a catar os pedacinhos do grampeador e quando levanto a cabeça, onde ele está?
na porta da agência.
dou o grampeador quebrado pra moça, peço desculpas e saio correndo.

consigo pegar ele na beira do meio-fio, quase indo pra rua.
coloco ele no carro, ligo o som, ele fica olhando pela janela e "cantando".

e eu pensando que puta mundo injusto e que não entende ABSOLUTAMENTE NADA de crianças quando dizem que criança de dois anos não merece fila preferencial.

2 de mai. de 2015

it's been so long.

o que eu sinto é vácuo.
fui no hd externo vasculhar fotos e ver o que andamos fazendo nos últimos meses e a constatação é que nem fotos eu ando tirando muito. uma câmera com lentes que valem mais que minha bicicleta e eu não tiro fotos. no celular, imagens do que o autran come, print screen engraçadinhos pra dividir no whatsapp e autran tirando fotos dele mesmo.

esse ano eu decidi que ia me dedicar a faculdade. dois estágios, matérias que exigem muita leitura e discussão e ~prestar atenção na aula~. não dava pra levar nas coxas. mas tive um mês de aula. duas greves, governo tirando sarro da categoria, escolas e universidades paradas.
o cosmos novamente dizendo que eu não tenho controle mesmo sobre nada.

autran está numa fase delicada. fez 21 meses dias atrás.
pula, roda, corre, finge que bate a cabeça pra ganhar meu colo e afago (com se já não tivesse).
fala pouco. grita muito. come pouco. mama muito.
responde "não" pra tudo.
sai correndo quando vê que estamos atrás dele.
adora tirar toda a roupa - fralda, inclusive - pra tentar por de volta.
ele escovando os dentes é a coisa mais fofa desse mundo.
ele escovando os cabelos é a coisa mais fofa desse mundo.

luana está a cada dia ganhando um troféu maior de "adolescente realness".
vive com sono. vive com fome. vive falando pelos cotovelos.
vai da menina bonitinha queridinha pra monstrinho mau-humorado em 5 segundos.
esses dias passou o dia inteiro numa maratona de once upon a time. e depois queria me contar tudo.
drama queen.
pinta os cabelos de azul. mas essa é a única contestação.
de rebelde somente os hormônios, mas disso ela não tem controle.
vejo nela tanta ansiedade e ao mesmo tempo tanto frescor.

ainda me vejo equilibrando entre os dois.
não vejo muita diferença do texto anterior e, veja, já fazem dois meses.
como disse, vácuo.

***

fiz uma tatuagem em homenagem ao meu pai.
a decisão foi no dia do velório dele.

ele sempre fez piada das tatuagens, alargadores e piercings. dizia brincando que ia fazer também.
pensei em nada melhor que uma tinta no couro pra celebrar a vida que ele teve.

o desenho é um barco.
no catálogo oldschool, barco significa aventura. e bem, isso que a vida com meu pai foi, uma aventura.
mudanças drásticas, viagens insanas, sem medo do desconhecido com a mala, cuia e três filhas a tiracolo.
no catálogo amanda-de-ser, barco significa uma paixão do papai. e uma piada interna da família.
minha irmã disse que ele não ia poder ensinar pros netos o que é "bombordo" e "estibordo". coisa que ele tentou a vida inteira ensinar pra gente e a gente confundia.
meu pai foi escoteiro, adorava acampar, pescar. sabia nós e tudo mais.
decidi fazer um barco pra nunca mais esquecer que estibordo é o lado direito da embarcação em relação a proa - a frente do barco. e o bombordo é o oposto, o lado esquerdo.

a frase é "the stars will be your eyes and the wind will be your hand".
achei que combina com o desenho. quem olha de longe até consegue conectar.
o barco é um veleiro, que funciona com a força do vento. estrelas e navegação tem uma história romântica.
"as estrelas serão seus olhos e o vento será a sua mão". perfeito.

a frase foi tirada de uma música chamada far from any road, da banda the handsome family.
fiz uma pequena mudança na frase pra fazer mais sentido no contexto da minha tatuagem.
ainda assim, ao pensar no combo papai, veleiros, estrelas, a música, a frase, e o momento soturno em que tudo isso veio a tona, pra mim é uma ilustração perfeita.


acho que ele ia gostar.

8 de fev. de 2015

i'll get though becoming you.


difícil escrever qualquer coisa depois do último post.
não queria parecer fria e fingir que nada aconteceu, mas também não queria trazer o assunto a tona. deixei o tempo passar, e passou até demais.
tanta coisa acontecendo, tanta coisa rolando e eu não sabendo nem por onde começar. é assim que a gente perde a mão num blog. de repente nada serve pra virar post, mesmo a gente sabendo que poderia virar. é costume mesmo, hábito.


procurei muito entender o mix de emoções que senti durante o velório do meu pai e percebi que aquela era minha forma de luto.
senti muita raiva e vontade de gritar pra todo mundo ir embora. senti muito ódio naquelas horas. não queria que me tocassem, não queria que me abraçassem, que me consolassem. queria ficar sozinha. me escondia onde era possível. agia de forma estranha pra encerrar conversas. fui grossa, fui estúpida, deixei pessoas falando sozinhas. estava constrangida por tudo aquilo. sempre achei velórios uma coisa bizarra, e entendo que pra algumas pessoas seja necessário, que é uma forma de despedida. mas pra mim não. nunca vou conseguir perdoar (quem?) que a última imagem que tenho do meu pai seja cheirando flores, rígido, num caixão. aquele não era meu pai. meu pai cheirava cigarro, sorria suave e viva com o olhar doce e perdido. foi mentalizando essa imagem que 'me despedi' dele, deitada na cama que foi dele. uma conversa telepática que nunca teríamos se ele estivesse na minha frente. porque meu pai entendia meus silêncios, a minha dificuldade de expressar-me. porém, o cortejo foi estranho e bonito, todo mundo cantando baixinho "como é grande o meu amor por você". puxado pela voz e violão de um amigo de longa data e companheiro de banda do meu pai. foi emocionante. se não fosse a circunstância trágica, filmaria.
erguendo a cabeça, corpo e mente, saímos numa viagem que há anos planejávamos.

procurei muito uma expressão pra ilustrar o que foi o final o ano e só consigo pensar em bittersweet.
nunca aconteceu de viajarmos todos juntos, eu, mãe e minhas irmãs. passamos os últimos dias de 2014 na praia, enchendo a barriga de comida, morgando e tendo maratonas de once upon a time. fazia 7 anos desde a última vez que pus os pés no mar. autran não conhecia. foi bonito, foi gostoso. precisávamos.

procurei muito manter um ritmo desde que voltei pra casa e reconheci minha dificuldade com rotinas.
mais de trinta dias longe de casa, sentei e olhei em volta diversas vezes esperando uma mágica que me fizesse ser enérgica, dinâmica, eficiente. na real espero essa mágica há uns vinte anos. ela nunca chegou. o que chegou foi a hora de lidar com o eu real. e o eu real é difícil de encarar. tanto que preferi sentar no sofá com a luana, com um pote de pipoca e uma cuia de tereré e ter deliciosas tardes regadas a rupaul's drag race. luana e eu vibramos cada vez que uma queen odiosa saía e vibramos o dobro quando ~spoiler alert~ jinkx e bianca venceram suas respectivas temporadas (eram nossas favoritas).



dois mil e quinze chegou e junto veio um toddler e uma preteen.
toddler é o bebê que anda, corre, grita, resmunga, chora, se joga no chão e desafia.
preteen é a pré-aborrescente que fala, fala, fala, fala, fala, reclama, vira os olhos, fala e reclama.

as fases mais intensas e que me exigem de formas tão distintas.
ás vezes é bastante frustrante, parece que nado contra corrente, que não saio do lugar. é aquele furacão diário, exigências mentais e corporais da hora que acordo a hora que vou dormir, e até durante o sono, vamos ser sinceros (cama compartilhada, oi!). os dias se atropelam e me engolem e de repente já é fevereiro.
no início de 2014 me senti do mesmo jeito e quando percebi, o ano acabou.
difícil olhar pra trás e ver que tanta coisa aconteceu, tão rápido, enquanto eu estive presente mas correndo o suficiente pra não me dar conta.

e aí que entra o lance de encarar o eu real.
o eu real é calmo, relaxado, gosta das pequenas coisas, os pequenos prazeres. como o tereré com pipoca e o reality show de drag queen com a filha mais velha. o eu real não liga pras coisas fora do lugar na estante da sala e no balcão da cozinha, não se importa muito que o piso está sujo ou que a roupa está no varal mais do que devia. o eu real para pra ver nuvens e ainda lê rótulos de desinfetante no banheiro. é devagar, é cabeça de borboleta.
mas na minha (não)rotina atual, não existe espaço pra isso. sentar e relaxar depois do almoço culmina em louça sem lavar e uma montanha acumulada pra próxima refeição que atrasa tudo em uma hora. a roupa suja acumula, a sujeira acumula, as fraldas, os brinquedos pela casa, os compromissos. e ao tentar cuidar de tudo, eu não cuido de nada.
vem um colapso.
vem um choque.

aprender a lidar com esses dois extremos tem sido doloroso.
mas tudo que é doloroso é recompensador.

voltarei pra contar.

16 de dez. de 2014

the starts will be your eyes...

no dia 9 de dezembro conversava com minha irmã mais velha pelo whatsapp sobre meu pai.
ela ficou o dia inteiro com ele e me contava como ele estava. ele havia perdido a força nas pernas e estava na cadeira de rodas. ficava boa parte do tempo dormindo, respirando com o auxílio de uma bomba de oxigênio. estava planejando ir vê-lo dia 12 e ficar até o natal. falamos de como seria bom pra ele ver os netos e ficar um tempo comigo (sou a única filha que mora longe).

no dia 10 de dezembro acordei e li minha irmã me contando pelo whatsapp que a ambulância foi buscar meu pai pois ele respirava com muita dificuldade. algumas horas depois, ela me ligou dizendo que a situação era grave. chorei. liguei pra minha chefa e pedi pra ser liberada da semana pedagógica. arrumei minha mala correndo (esqueci mil coisas). arrumei a mala do autran correndo. almocei. levei a luana pra escola e peguei a estrada. cheguei no hospital e vi meu pai sofrendo para respirar. ele me viu, sorriu, me abraçou, tirou a máscara de oxigênio para me beijar. trocamos poucas palavras. ele dormia muito. mix da medicação e defesa do corpo.

no dia 11 de dezembro acordei com minha irmã me ligando. meu pai havia piorado consideravelmente e eu deveria correr pro hospital. autran estava com diarreia, decidi tomar banho e dar banho nele. amamentei. arrumei a bolsa e saí. não achava lugar pra estacionar. quando achei uma vaga longe demais do hospital minha irmã me ligou avisando que meu pai havia ido.

estacionei.
desci.
tirei o autran do carro.
andei rápido com ele no colo. senti minhas panturrilhas queimarem.
deixei autran na recepção com minha irmã caçula e subi as rampas do hospital do câncer de maringá.

meu pai morreu no dia 11 de dezembro de 2014, aos 59 anos, de osteossarcoma cervical.

5 de set. de 2014

bonanza.

no relógio, batia 16h25.
tinha um compromisso às 16h30 e tinha acabado de perceber que a blusa que eu havia separado pra vestir estava suja. tinha pego a blusa na montanha-nível-everest de roupa limpa-ainda-sem-passar. joguei em cima da tábua de passar e fui cuidar da vida. "antes de sair eu passo, assim não amassa e nem suja", pensei eu. enquanto passava ferro numas das poucas blusas decentes da minha categoria ~para amamentar~, percebi uma sujeirinha. e não era qualquer sujeirinha: era merda de passarinho.
uma parte do varal fica bem embaixo de um ninho que pardais fizeram no telhado da minha casa. sempre esqueço disso e tenho surpresas desse tipo.

jogo a blusa de volta pro cesto e pego outra, ainda da categoria ~para amamentar~, mas das que também fazem parte da categoria ~só uso quando não tem mais nenhuma limpa~.

era 16h27 e eu mandei um audio no whatsapp avisando do ocorrido e que ia atrasar uns minutinhos.
pus autran no carro e parti.

no caminho, sentia uma sensação de "dever cumprido" do dia.
havia feito tudo que tinha planejado antes de me levantar: lavar o cabelo, fazer o trabalho de linguística de uma forma decente.

(vejam como minhas expectativas andam baixas)

ir para a reunião das 16h30 sem estar vergonhosamente atrasada também era uma mini-vitória, apesar de eu ter planejado dar banho no autran antes de sair e montar uma bolsa digna.
como ele foi especialmente demandante enquanto eu me afogava pra achar exemplos textuais de ~heterogeneidade tipológica~, terminei o trabalho em cima da hora.
o jeito foi dar um banho de gato com paninho molhado na água com cravo, por uma roupa limpa, chinelo limpo, perfuminho pra enganar, pegar uma bolsa qualquer e jogar lá fralda, paninho, uma banana e o copinho de água.

fim da reunião. esqueço de fazer a inscrição pra uma prova que tenho que fazer. ainda assim, chego em casa 10 minutos antes de ter que sair para pegar o ônibus e partir pra faculdade.

cheguei agora, às 23h50.
autran já dorme. luana já dorme.
nesses dias corridos assim, que é tudo atropelado, afobado, afetado, quando chega a paz, eu sinto um vazio.

encher as horas de repente é ruim.
esvaziar é pior ainda.

15 de mai. de 2014

i never said i work better in chaos.

depois de esgotar todo o resto de estrutura cognitivo-acadêmica do meu cérebro analisando um filme alemão dos anos 70, vim chorar as pitangas aqui nesse blog jogado ao relento.
olha, tem sido difícil.

acho que nunca tive que lidar com tanta frustração atrás de frustração. moisa diz que é a vida adulta, cheia de responsabilidades, é assim mesmo. mas será? será mesmo que a gente cresce, se desenvolve, cria autonomia, deseja profundamente ser adulto, ser dono do nariz, ter uma casa com cachorro e quintal... pra isso?
pra mal ter tempo de lavar os cabelos, de fazer as unhas (e digo apenas lixar e cortar as carninhas excedentes das laterais, porque isso é "unha feita" pra mim ultimamente), de contemplar o céu azul/cinzento, de pensar no que fazer pro almoço e se planejar, de ter o prazer de ler um livro por quer ler e não porque tem prova dele AMANHÃ?

a vida tem sido uma correria danada, pausada por uma azia aqui, uma enxaqueca ali. de repente se cai doente, e da-lhe métodos farmacológicos, porque nem saco/tempo pra chá eu tenho mais. quem dirá procurar um homeopata e lidar com isso como deve ser.
falando em médico, tenho pavor de pensar em dar de cara com o ginecologista que falou pra voltar lá 40 dias após o parto para um preventivo, ou dar de cara com o dentista pra dar um jeito nessa obturação que caiu e cariou e me constrange quando sorrio, ou encarar as tias do postinho, as mau-humoradas que odeiam quando eu atraso a vacina. tudo isso numa não-rotina cronometrada, com cama desfeita e roupa sem passar.

me sinto tão despersonalizada com os cômodos ainda tomados por caixas de papelão, tudo ainda por fazer, os livros acumulados na mesa de estudos que virou mesa de entulho. os projetos e atividades deixados tão pra depois que passam do tempo. alguns, desisto mesmo.
os filmes, as séries... puts!
estou engolida, cada dia mais, por esse buraco negro chamado jornada tripla - mãe, dona-de-casa, professora, universitária (quádrupla?).

em algum canto desse correria, entre achar o par certo da meia e trocar fraldas de cocô, eu perdi a leveza.
perdi a calma, a serenidade. ando puro stress, puro nervos.

algo me diz, e também as pessoas me dizem, que essa loucura vai passar.
que quanto menos esperar, terei aquelas tardes só pra mim e, quem sabe, voltar a ter o luxo de fazer meus bonequinhos de papel simplesmente porque quero e posso fazer.
mas algo também me diz que um dia sentirei falta desse caos. e de que eu preciso aproveitá-lo de alguma forma.

só me resta saber como.

23 de fev. de 2014

tudo combinando.


tava aqui surtando com a gemeção e falação do autran, num sono dito popularmente "dos anjos", e lembrei que há tempos não bato os pezinhos pra esses lados.
meu amor pelo blog me fazendo digitar de um teclado touch, lance que eu não me acostumei ainda. um salve ao corretor ortográfico, mas esse que sugeter, não o que substituiu sem você pedir.
sim, tenho um celular metido a besta, o que significa muitas fotos desnecessárias m. mas bem, é de fotos desnecessárias que eu vivo.

tipo essa do início do post, só pra lembrar um dia ni futuro como essa belíssima combinação deixou o autran ainda mais apertável. pra lembrar de uma época que autran rolava dormindo, fazendo "air uuuu auauaaa" de olhos fechados. de como ele ainda não dá muita bola pro naninha velho de guerra. lembrar da cama.compartilhada no chão do meu quanto, por motivos de: ar condicionado.

a alguns dias de completar 7 meses, autran ainda é mamador, colero, encanto e magia. já senta sozinho, se arrasta com uma velocidade inacreditável e vejo sinais da angústia da separação.

todo esse novo mundo - e a nova rotina com a mamãe trabalhando e estudando - merecem posts mais dedicados e exclusivos.

o que não vai rolar nesse teclado.

19 de jan. de 2014

as time goes by.

já não faço mais promessas pro blog.
ás vezes eu até falo "vou falar depois sobre isso" e, claro, acabo não falando. daí passa muito tempo, e eu fico com vergonha de continuar falando como se não tivesse um espaço de 7 meses entre os posts. não sei o que é pior, nesse caso.

tenho milhões de posts na cabeça.
queria muito mostrar como anda o quarto montessoriano do autran. todo o processo de montagem e os objetivos. porque agora, finalmente, ele tem um quarto só pra ele.
ainda fazemos cama compartilhada. joguei um colchão de solteiro do lado do colchãozinho dele e as (muitas) mamadas noturnas continuam em estado de semi-sono.


no momento, é só disso que precisamos :)

e não somente o quarto, mas as atividades também. autran passou da fase visual e está no estímulo tátil, que pra mim é o mais interessante.
tenho fotografado e partilhado no instagram, mas não é a mesma coisa...

também queria falar das fraldas de pano. muita gente vem me perguntar sobre elas, se compensa, como cuidar, como funciona, se dá trabalho... até comecei a fazer uns videos pra facilitar hah

também queria fazer aqueles posts mensais que acompanha o crescimento do bebê. desses que toda mãe zelosa faz, contando as novidades, as conquistas, as medidas, acompanhado de fotos lindas e encantadoras. eu nunca consegui fazer o do autran.
óbvio que já pensei, já escrevi mentalmente, mas não consigo, simplesmente não consigo.
e pegando esse bonde, queria falar de como é a vida com um bebê high need.
durante o dia eu não posso, durante a noite eu só quero deitar e assistir meu seriado no ipad.

também queria falar da vida com duas crianças em casa.
queria falar da casa nova. da vida nova.
queria falar do ano de 2013 que foi tremendo...
até cheguei a começar a separar algumas fotos pra uma retrospectiva visual.

a vida corre, logo o autran começa a comer e eu sequer falei das leituras que fiz sobre introdução alimentar montessori x blw...

*sigh*

1 de jan. de 2014

hoje foi um dia bom.

Definitivamente bom.
Estamos em mais um processo de mudança; três casas em 3 anos não é para qualquer um. Enquanto coloco tudo em ordem, numa calma assustadora, penso nas milhares de possibilidades que esse novo ano traz consigo.
Hoje, estamos numa casa dos sonhos: espaçosa, fresca, simpática. Estamos todos em bons momentos. Estamos, eu e moisa, na doce amargura que os 30 anos traz pra gente. Uma dose de resignação com indiferença, ao mesmo tempo uma convicção na bagagem da maturidade. Estamos calmos, sabemos o que queremos.
Raramente fico otimista como estou na virada. Sempre digo, especialmente a mim mesma, que tudo é continuaçäo e não recomeço. Isso nunca fez tanto sentido.
Ainda assim, não posso deixar de relembrar que 2013 foi um ano incrivelmente intenso. Isso merece um post exclusivo. Pois um ano INTEIRO regado a sangue, suor e lágrimas não deve ser ignorado. Mas depois, o farei com calma.

Agora, deitada num colchão da cama compartilhada no chäo do quarto do meu filho não é digno.
Estou escrevendo no teclado qwerty do meu celular usando a internet da TIM enquanto autran briga com o sono pra dizer que esse primeiro dia do ano foi delicioso. Foi calmo. Foi previsivel. Foi leve. Espero que ele seja um reflexo do que meus dias serão daqui pra frente. Pois depois da tempestade que foi 2013, em 2014 eu espero calmaria.

Calmaria ao lado da minha filha pré-adolescente e sua preocupação genuina acerca de absorventes, espinhas e adolescência, ao lado do meu filho bebê e sua missão secreta na terra, que consiste em babar em todo colo possível e ser fofo 24/7, e ao lado do moisa, pra ter certeza a cada segundo que eu fiz as escolhas certas na vida.

Estou otimista e esperançosa.
Como nunca antes.

Feliz ano novo!

16 de dez. de 2013

chatting.

eu aprendi que parto normal REALMENTE não é pra todo mundo.
parto te vira do avesso, psicologicamente. o físico é o de menos. as pessoas se prendem à dor, mas a dor do parto é a última das coisas que você deve se preocupar. é suportável, teu corpo jamais te daria algo que você não poderia lidar. ele é inteligente. milhões de anos de evolução ensinaram isso pra ele. uma rápida pesquisa ou uma conversa com uma boa doula e um olhar mais "pragmático" e você entende isso.

o lance é mais embaixo. o parto acontece mesmo dentro da cabeça.
a mulher contemporânea, classe-média, independente, tem muuuuito esqueleto no armário. muito trauma inconsciente, muitas necessidades, aflições, carências. e ela se nega a olhar pra tudo isso. ou porque não tem tempo, ou porque não quer, ou os dois. somos muito cobradas e menosprezadas ao mesmo tempo.
num parto, tudo isso é jogado no seu colo.
parir não é somente dor e sofrimento físico, o emocional é infinitamente mais violento.
por isso que tem mulher que tem um parto lindo, rápido, maravilhoso, e outras tem aquele parto difícil, demorado, sofrido. tudo isso depende da bagunça dentro de si.

hoje, meses depois, eu fui entender porque o meu demorou tanto. eu não escrevi tudo que realmente aconteceu ou sentia no relato. tem coisa que eu só guardo pra mim. se você se recorda, eu fiquei com 7cm de dilatação e bebê alto por horas seguidas, e a coisa só foi se desenrolar quando eu fui pro chuveiro e chorei.
eu achei, durante a gravidez inteira, que eu teria que resolver coisas sobre minha cesárea e a criação da luana pra poder parir tranquila.
mas eu estava errada.
eu sou muito bem resolvida quanto à cesárea. meu problema era minha relação com a minha família. eu engoli muito choro na frente deles, a minha busca pelo parto natural humanizado era TÃO solitária e TÃO angustiante que eu pensei em desistir várias vezes. e ás vezes eu queria chorar as pitangas, ou compartilhar alguma coisa com alguém além do moisa. mas eu não tive nada disso.
minha mãe é terminantemente contra parto normal, nem minha experiência mudou a opinião dela.

e eu percebi isso, que minha "trava" era outra, porque foi depois da minha mãe entrar no quarto, me fazer massagem e me abraçar, que a coisa fluiu. eu fiquei mais de 4 horas sem progresso algum. quando minha mãe saiu do quarto, deu 20min e o autran nasceu.
eu vi que não estava abandonada como parecia. porque era justamente isso que eu sentia: abandono.
abandono por parte dos meus pais.

e te prepara, que depois do parto você vai se sentir capaz de QUALQUER COISA. é realmente um rito de passagem. toda mulher deveria passar por isso, sério. nossos conceitos, crenças, concepções, tudo muda.
a gente cria uma coragem que vem lá do âmago. fica bem animalesca mesmo, heh.
eu achei que a maternidade tinha me deixado mais forte, mas foi depois de toda essa experiência que eu vi a força que eu tenho, a força que meu corpo tem. que eu e meu corpo somos capazes de geral, parir e nutrir, naturalmente.
isso NINGUÉM vai tirar de mim. nunca mais.

10 de nov. de 2013

sobre despersonalização e prazos.

o ano ainda não acabou. ainda é cedo pra fazer um balanço geral - aquele clichê adorável dos blogs -, e eu não o farei. mas me sinto no direito de fazer alguns comentários.
esta é a quinta noite (consecutiva, houve outras aleatórias) que eu atravesso acordada por um motivo chamado: relatório de estágio.
o mesmo estágio que me arrancou lágrimas no primeiro semestre, que me fazia ir dormir às 2 da manhã e acordar às 6h, que me fazia correr pra cima e pra baixo com uma barriga de 8 meses de gravidez, que me fez passar tardes inteiras escaneando reportagens, montando atividades, planos de aula, enquanto minhas pernas inchavam cada vez mais, pedindo uma caminhadinha, um descanso, uma atenção extra e um copo de água a mais; enquanto minha pressão estava nas alturas pedindo calma, repouso e tranquilidade. eu não tinha nada disso. tinha era tensão, nervosismo, choro contido.

a regência acabou.
autran nasceu.

saí do mundo "universitária" pro mundo "puerpéria".
dias e noites de tensão, nervosismo, choro contido de um cansaço extremo de um bebê adorável que exigia muito mais do que eu pudesse imaginar.

autran cresceu.
minha licença acabou.

voltei pra universidade, ainda com um pé e meio no mundo "puerpéria" (minha teoria é que só saímos desse mundo depois do 6º mês). mas a universidade exige os dois pés no seu mundo. e um terceiro, se você puder oferecer.
os prazos indo igual enxurrada.
o relatório foi iniciado quando deveria estar sendo finalizado.

por isso não durmo.
por isso sinto constantes dores nas costas e nos olhos.
por isso pareço estar tão irritada, esquecida, lenta.

esta semana foi especialmente difícil pela ausência do moisa. uma viagem por causa do trabalho e 3 dias que pareceram três meses com nosso caçula me lembrando das prioridades da vida, com a nossa primogênita me lembrando que pré-adolescentes são aquele furacão emocional.

num desses dias, enquanto eu me afundava em fichamentos, xerox do ano passado, anotações do caderno e teoria que eu ainda não compreendi, ouvi os passarinhos cantando. eu estava há 3 dias vendo o sol nascer, mas só naquele dia ouvi os passarinhos cantando no alvorecer.
parei o que fazia pra olhar pela janela da lavanderia.

fui no quarto e vi o autran dormindo.
e me lembrei que ele é um bebê exigente sim, mas também é um bebê lindo, saudável, cativante e o maior motivo das minhas gargalhadas diárias. ele faz eu perder a hora pra tudo sim, mas tem um olhar capaz de me fazer perder a vida apenas contemplando. autran é o primeiro sorriso que eu vejo ao acordar, o sorriso de quem ainda não aprendeu o que é fingimento ou cinismo. o mais puro de todos.

fui no quarto e vi a luana dormindo.
é, ela é uma pré-adolescente. avoada, esquecida, preguiçosa. mas todo pré-adolescente é assim. seu diferencial é ser a mesma menina meiga, doce, carinhosa e educada de sempre. luana é uma menina virando moça a olho nu, é minha princesa, meu docinho, minha florzinha. é a menina que diz todos os dias o quanto me ama, que sou inteligente, que sou bonita. ainda é aquela admiração sincera que não quer nada em troca. ela fala porque quer que eu me sinta amada, do jeito que eu a faço sentir.

lembrei do moisa, longe de mim.
e lembrei que quando ele não está perto, eu desmorono muito fácil. aquela coisa todo do alicerce, sabe?

o que eu senti foi tão intenso, que até fiz um vídeo uns dias depois, pra nunca me esquecer.



e pela primeira vez, depois de meses, quase um ano praticamente, de ter enfiado um papel em um pote cheio de xixi no banheiro de casa, eu senti vontade de fumar.
uma vontade louca. genuína. quase sentia o gosto da fumaça passando pela garganta. eu sentindo ela seca. engolindo saliva. aquela leve tontura que sentimos no primeiro trago pela manhã. e o alivio.
naquela alvorada fresca, sozinha, eu senti vontade de fumar.
de soltar toda a tensão na forma de fumaça.


eu sei que isso tudo logo vai passar.
o autran me ensinou o real significado da palavra "entrega". quanto maior a entrega, melhor o resultado, maior o reconhecimento, mais rápida as rédeas de volta.
no momento não estou sendo eu, estou sendo "relatório de estágio".

e eu sei que o desfecho disso vai ser um choro compulsivo com sabor de vitória.
e aprovação, claro.


ps - não creio que meu orientador esteja lendo isso (tenho ele como amigo no facebook), mas se estiver, peço por gentileza, que agregue este texto à nota final (heh)

2 de nov. de 2013

24 hours in the life of me.

esta sexta, do dia 1º de novembro, eu anotei cada passo meu, sempre que possível.
todas as observações, assim como as fotos, foram feitos com o celular.



00h01
uns amigos vieram jantar em casa e acabaram de ir embora. estou deitada na minha cama fazendo o autran dormir. deito de lado, coloco o peito pra fora, ele deita de ladinho e mama sozinho. pus o ipad na minha frente e leio feeds enquanto o tempo passa. às vezes ele para de mamar, me olha e faz "auuur". nem sinal de sono.

00h56
autran solta o peito dormindo. sinal de sono pesado. luana veio me dar boa noite. amanhã (hoje, pros chatos) não tem aula. então ela pode dormir tarde e acordar tarde.

1h07
autran resmungou e ameaçou chorar. ainda estava deitada ao seu lado. antes que ele gritasse pro mundo sua dor, pus o peito na boca dele. a noite vai ser longa...

2h20
depois de duas tentativas, finalmente consegui por o autran na cama dele. neste momento estou deitada no tapete de EVA ao lado do colchão. ele está "plugado" (peito na boca, se tirar ele acorda). moisa dorme profundamente.

5h35
mamazinho da madruga. me dei conta que faleci de sono no tapete mesmo.

5h50
moisa manda eu voltar pra cama senão vou passar o dia travada de dor nas costas. levo o autran pra cama comigo, já que ele continua procurando o peito de 10 em 10 minutos. moisa joga um colchão ao lado da cama e dorme o resto da manhã lá.

7h25
autran resmunga, eu demoro pra atender e ele abre o berreiro.

12h51
depois de mais duas mamadas (sono demais pra registrar o horário), autran desperta de vez. o dia começou pra ele e pra mim.


14h33
levei a luana na casa da amiga pra brincar. levei o autran pra luana mostrar o irmão pras amigas e ele acabou dormindo no carro na volta. consegui tirar da cadeirinha e colocar no carrinho sem despertá-lo. aproveitei pra almoçar. foi o tempo que durou o cochilo. dei mamá e foi pro colo do moisa.

15h40
começo a (tentar) limpar a casa. sem sucesso. autran chora muito, exige colo, peito. está bem incomodado. imagino que seja o calor. com ele nos braços, ponho a roupa pra lavar.

16h16
autran ficou 5 minutos no carrinho, o tempo de erguer as coisas da sala. agora ele chora até no colo. tiro a roupa dele, está suando. tadinho. deito na cama pra ver se ele tira uma soneca mais "efetiva".


16h56
autran dormiu, finalmente. decido ficar do lado dele até que o sono dele fique pesado.

19h35
acabei de acordar, ainda estou na cama com o autran. despertei várias vezes com o autran procurando peito. deveria ter ido buscar a luana às 19hr, mas autran não larga o peito por nada. estou com dor de cabeça, fome e muita sede.

20h53
em casa, depois de ter ido buscar a luana e ido ao mercado. belisquei um pastel assado de presunto e queijo, bebi suco de pêssego e dei mamá pro autran. estamos nós três vendo simpson enquanto o moisa lava a louça.


21h49
montei duas pizzas no estilo 'tudo que tem na geladeira' e pus no forno. faxina começa agora: luana limpando cozinha, eu limpando sala e moisa cuidando do autran.

22h40
nessa correria, esqueci de dar banho no pequeno :x
estou preparando o ritual noturno: shantala, banho morninho e botar pra dormir.

00h25
autran dormiu profundamente. luana está no pc, moisa lendo revista. agora saio da cama e vou terminar a faxina. falta limpar lavanderia e passar roupa.


--
depois eu volto com observações post-scriptum.

24 de out. de 2013

but she's only 10 years old!

daqui menos de 4 horas (00h56min) luana estará partindo pra sua primeira viagem com a escola. vão a foz do iguaçu.
todos os 5º ano embarcarão em uns 3 ônibus, mais professores, coordenadores, diretor, etc pra conhecer a ~maravilha natural~ do nosso estado.

a luana está ansiosa pra essa viagem desde que o ano começou. na primeira reunião, a professora já explicou como seria a viagem, o porquê, o quanto é importante, como pagar em suaves prestações por 7 meses. todas as crianças vão, até a amiguinha da luana cuja a mãe não deixa ir brincar na casa dos outros.

e aquela coisa: coração de mãe na boca. quase escapulindo.
meu bebezão entrando num ônibus SOZINHA, indo pra foz do iguaçu SOZINHA, passeando pelo parque nacional SOZINHA, almoçando em restaurante SOZINHA, conhecendo itaipu, parque, marco das três fronteiras SOZINHA. é assim que eu vejo.
não importa se vai professor, psicólogo, coordenadora, diretor, secretária, cozinheira, faxineira, polícia militar e federal. minha filha estará sem mim e isso é perigosíssimo.
por mais que eu me esforce em "criar o filho pro mundo", ver ela batendo as asinhas é tão... desolador.

luana está uma típica pré-adolescente. passa o dia inteiro no computador, se deixar. vive com fome. vive com sono. vive entediada. vive com cara de "saco cheio". ainda demonstra algum entusiasmo quando a chamo pra fazer algo comigo, no entanto.
vejo alguns resquícios da luana-bebê: ainda tem aquele grude excepcional comigo, ainda quer bater papo enquanto eu estou no banheiro e/ou tomando banho, ainda quer sabe o que está passando no discovery kids, ainda me chama de "mami", ainda enrola o dedinho no cabelo pra dormir.
mas eles estão sumindo, pouco a pouco.

a cada dia, vejo a linda moça que ela está se tornando.
me animo em ver que ela continua doce e educada, me preocupo em ver que ela continua super tímida e introspectiva.
nunca me pensei sendo mãe de uma adolescente.
melhor eu começar a pensar.

e rápido.


última foto como filha única.

21 de out. de 2013

um dia falarei melhor sobre a alta demanda.

essa é minha última semana de licença maternidade.
já entrei em depressão só de imaginar o caos que se instalará na minha casa até o fim do ano letivo.
tem sido bem difícil assimilar tudo. eu não sou uma pessoa de fazer várias coisas ao mesmo tempo, eu não sei lidar com a pressão - muito menos a que eu coloco em mim mesma.
não estou nada otimista com o retorno à sala de aula. fico aflita pensando que meu único turno de "folga" (quando o moisa estava aqui pra me ajudar) eu estarei mergulhada em outras obrigações. obrigações estas que trarei pra casa, ocupando os resquícios de brechas que minha rotina de full time mom domina. e eu digo resquícios MESMO. o tempinho que sobra pra comer e fazer xixi sem um bebê clamando minha presença. sim, porque há os dias em que almoço em três garfadas enquanto ele chora do meu lado.

quem conheceu autran se encantou com a calma e simpatia dele.
ele realmente é um bebê ótimo, risonho, comunicativo. não estranha colo, nem pessoas, nem ambientes. sua vida social acontece desde que ele tem 7 dias de vida. jamais poderia classificá-lo como um "bebê difícil".
mas ele é.
desconfio seriamente que autran é o que chamam de bebê high need. não é doença, não tem diagnóstico clínico. é um traço de sua personalidade e a gente descobre isso apenas observando. tem cura? não. o que fazer então? amar, como se faz com qualquer outro filho.

por isso andei pesquisando sobre como é viver com um bebê enérgico, exigente e drenador.
eles precisam ser atendidos, compreendidos e servidos de forma devida, como merecem e como pedem. não é culpa deles. nem nossa. seus sistemas, seus corpos pedem mais. e temos que dar mais. não atendê-los seria como dar nada àqueles que pedem pouco.
a única coisa que diferencia o autran de outros bebês high need que vi em vários depoimentos é o padrão de sono noturno. autran dorme bem à noite. desde que completou 2 meses, raramente acorda de madrugada. ele desmaia perto da meia-noite e só acorda por volta da 7 ou 8 da manhã. no entanto, ele só dorme sendo embalado, enquanto mama.
e TODAS as sonecas efetivas (que duram mais que 10 minutos) durante o dia são no colo.

diante desse panorama, não tem como manter a calma e pensar que tudo será tranquilo.
meu único foco agora é manter meu bebê alimentado, limpo e não-chorando. só com isso eu já fico esgotada quando ele dorme pra valer (o que me impossibilita fazer algo de madrugada que não seja dormir). há dias em que me sinto fraca. eu, desse tamanho todo, comendo igual um pedreiro, me sinto fraca.

nesse ritmo, não tive tempo para sentar e escrever textos que já estão prontos na minha cabeça sobre umas reportagens duvidosas de cama compartilhada, sobre o quarto do autran, sobre as atividades montessorianas que iniciei, sobre uma calça que estampei usando a técnica de stencil, sobre suas novas descobertas, sobre as alegrias, sobre o desespero dos saltos e picos de crescimento.
não há tempo, não há disposição.

imagine quando eu tiver outras obrigações de verdade.
nada animador.

27 de set. de 2013

nossas melodias.

dias atrás recebi a visita de uma colega de trabalho do moisa.
autran estava em pleno salto de desenvolvimento. juntando um dia de soneca ruim e horário crítico. enfim, ele não tava aquele bebê lindo e encantador que costuma ser.
entre choros e resmungos, a visita perguntou a ele: "vamos cantar? que música sua mãe anda te ensinando?".

eu sorri. e só.
não ia contar a verdade.

me sinto meio ridícula cantando música de criança.
eu nem sei música de criança. nunca ensinei a luana a cantar "meu pintinho amarelinho". no entanto, achei a coisa mais linda do mundo quando ela voltou da escola um dia cantando a música da boneca de lata (eu não conhecia) naquele bebenês de 4 anos, cheio de errinhos de dicção (por exemplo, ao invés de falar "desamassa", ela falava "samassa" ÓUN).
ela tinha seus cds de músicas infantis, ouvia, dançava, etc.
mas eu não ensinei nada quando bebê. tampouco cantei pra ela na gravidez. sério, isso me deixa constrangida.

desde que decidi mudar minha forma de maternagem com o autran, eu vi o quanto é importante pro bebê ouvir a voz da mãe. lhe dá segurança, estímulo, acalma.
resolvi fazer um esforço.

durante o banho, eu canto sempre a mesma musiquinha pra ele. é relaxante até pra mim.
debaixo do chuveiro quentinho, pele com pele, ele encosta a cabecinha no meu peito e eu deixo a água cair nas suas costas e fico cantarolando. cansei de o ver dormir assim.
o lance é que é uma música de adulto. em inglês.
mas tem uma melodia linda:



quando estou com ele no sling, pela casa, e ele ainda se mantém inquieto, eu começo a cantar também sempre a mesma música. diferente da do banho. porque aquela é música de banho.
a música de sling tambem é de adulto. em inglês.
e também tem uma melodia de matar:



outro dia, o moisa estava fazendo ele dormir e o ouvi cantarolando uma terceira música, que pode muito bem virar a música de dormir.
de adulto.
em inglês.
melodia... *suspiro*



ou seja, não seria fácil explicar que estou ensinando uma música extremamente depressiva pro meu filho enquanto toma banho, outra sobre um crime passional enquanto o embalo no sling e, antes de dormir, ouve o pai cantando uma música que, inicialmente foi feita sobre abuso de drogas, mas que pode muito bem ser vista como a angústia de um homem em sua velhice.

não é qualquer um que entenderia.

19 de set. de 2013

o porquê da mãe de um bebê (quase) nunca chegar na hora.

pra sair com um bebê, por mais breve e perto que vá ser a saída, pede pelo menos uma bolsinha com os itens básicos: fraldas extras, uma troca de roupa, pano de boca, algodão e água (no meu caso, não uso lenço umedecido). se frio, levo uma mantinha, se for demorar mais que 5 minutos, levo o sling.
pra não ficar toda atrapalhada, jogo minha carteira e celular na bolsa do bebê.

bolsa pronta, agora aprontar bebê.
afinal ele tem que estar limpinho, cheirosinho, lindinho nhóóóó quando vai sair, né. bebê azedinho só dentro de casa, por favor. dependendo do clima, não dou banho, mas passo pano com água morna, troco de roupa, penteio o "cabelo", passo perfuminho (só na roupa).
bolsa pronta, bebê pronto, agora é minha vez.
saio correndo arrancando calça do varal, pego blusa na roupa sem passar e cardigan na cabideira. levo mais tempo calçando o tênis do que colocando a roupa. escovo os dentes, arrumo o cabelo (leia-se solta e amarra de novo) e passo body splash, porque não tou usando perfume (por enquanto).

prendo bebê no bebê-conforto, coloco no carro, prendo o cinto de segurança.

agora podemos sair de casa.

(sinta-se sortuda se você não ser presenteada com aquelas cagadas que sujam até o suvaco do bebê assim que abre a porta da frente)

6 de set. de 2013

uma quarentena de autran.


nhac nhac nhac

parece que eu havia esquecido como era ter um bebê em casa. em algum momento, nesses 10 anos, minha mente bloqueou a parte em que eu deixava de ser eu e passava a ser dominada por uma coisinha que nem sabe que suas mãos são parte do seu corpo.

por isso, esse post será em tópicos, porque eu não tenho mais o luxo de me sentar na frente do pc e passar 2 horas escrevendo, relendo e editando um post de blog.

» há vários meses, moisa me deu um ipad de presente de dia das mães. segundo ele, seria muito útil nos primeiros meses com o autran, pra eu poder ler, ver seriados e navegar na internet enquanto cuido do bebê. e olha... MELHOR PRESENTE EVER! moisa e seu talento premonitório.

» a luana tem sido maravilhosa. apesar de estar naquela fase adolê, é bem compreensiva e prestativa. e o engraçado é que, antes, meu medo era que ela sentisse ciúmes da gente (eu e moisa) com o bebê. fato é que ela tem ciúmes sim, mas do bebê. o irmãozinho é dela, e ninguém tem que ficar de mimimi com ele não.

» o moisa tem sindo impecável. nem tenho palavras pra descrever o quanto ele tem sido minha parte racional nisso tudo. tem me mantido sã.

» autran adora ver a luana dançar, descobrimos ontem.

» amamentação exclusiva até o 6 meses, é o que faremos aqui. pra mim é tipo um sonho realizado, visto que não consegui amamentar a luana por muito tempo (longa história). foi doloroso no início, ainda tenho alguns percalços, mas a livre demanda (sem horários fixos, o bebê mama quando quiser) está indo muito bem. e, lá no fundo, sinto uma satisfaçãozinha em ser a única capaz de acalmar o autran em certos momentos.

» com pouco mais de 15 dias, autran já tomava banho no chuveiro. isso mesmo, chega de encher banheira, da banho correndo pro bebê não passar frio, esvazia banheira, etc, etc. ele sempre chorava muito e minhas costas andavam em frangalhos. um dia eu tirei a roupa e entrei com ele debaixo do chuveiro e foi o primeiro banho em que ele não chorou. esteve a ponto de dormir (chegou a dormir em alguns), de tão relaxado que ficou. daí pra frente tem sido assim. ele até faz carinha feliz quando entra no box comigo.

» desde que o autran nasceu eu saí na rua 7 vezes: pra um grupo de mães, pro pediatra, pro obstetra, pra viajar, pra ir ao mercado, prum churrasco e hoje, pra ir à padaria. ainda não enlouqueci.

» ainda está para ser descrito o sentimento que nos invade quando somos capazes de arrumar o cabelo e vestir uma roupa que não seja pijama enquanto estamos no puerpério.

» com o autran eu passei por um baby blues complicadinho. e com ele eu aprendi que: não há problema em pedir ajuda.

» autran está começando a gostar do sling, nossa primeira experiência ao ar livre foi no churrasco e ele dormiu umas lindas duas horas pendurado. dentro de casa ele parece não curtir muito.

» tenho feito testes com fraldas de pano e até agora tem sido meio desastrosas. mas é porque eu devo ajustar errado. vou continuar tentando, ele fica lindinho demais nas fraldas de pano modernas.

» no início, eu me sentia exausta e sentia que não ia aguentar a falta de estrutura, sono e referência que eram meus dias. hoje alguma coisa parece estar estabelecida, embora eu ainda não saiba bem o que. tenho a impressão que meu corpo está temporariamente habituado ao sono cortado e leve e não me sinto mais tão cansada, ainda que tenha que amamentar 3 ou 4 vezes pela noite.

» adoro não ter mais os pés inchados, adoro passar uma noite inteira sem ir ao banheiro, adoro não ter dor nas costas e pernas. porém, sinto saudades da minha barriga de grávida. acredito que ter usado as mesmas roupas de sempre durante a gravidez faz minha síndrome do útero vazio vir com toda força.

» durante os primeiros meses, estou fazendo cama compartilhada com o autran. apesar das críticas, acredito ser melhor pra mim e pra ele, pois eu preciso de descanso e ele precisa do meu calor e contato. no entanto sinto falta dos pés do moisa pra esquentar os meus.

» fotografá-lo: é o que eu poderia fazer o dia inteiro.




16 de jun. de 2013

¡hasta la victoria siempre! rs

há dois meses eu estava entrando em um colapso nervoso.
sem brincadeira.

passava o dia inteiro segurando o choro. querendo me trancar no quarto e dormir até meu bebê nascer. jogar tudo pra cima: obrigações da faculdade, principalmente. estive a beira de trancar as matérias e ficar em casa alisando o barrigão e preparando tudo para a chegada do autran. calma, serena, como deveria ser.
mas não. ao contrário, eu fiz um esquema de horários e prazos e, se obedecesse a tabela, teria tempo pra tudo. mesmo com 6 horas de sono por dia. era aquela coisa militar, sem chance pra imprevistos. nunca tive isso na vida antes.

claro que algumas coisas desandaram. como assim sem imprevistos? eu sou gestante no último trimestre! minha vida está girando em torno de imprevistos.
então muita coisa foi feita nas coxas. dei prioridade ao estágio, faltei muitas aulas, contei com a compreensão de professores que entendiam ainda mais minha expressão de "preciso de férias" quando viam o barrigão subindo as escadas.
não entreguei todos os trabalhos. colei em provas. não li textos. fiz seminários porcos. fui menos colaborativa do que costumo ser quando as coisas eram em grupo.
mas tenho a consciência de que fiz o que me foi humanamente possível.

estou a duas semanas do final de tudo e olho pra trás com uma ponta de orgulho por não ter sucumbido.
mas eu ainda não canto vitória. como disse, tenho mais duas semanas de choro engolido, tremedinhas no canto do olho e noites mal dormidas.

e a parte ruim de tudo isso foi uma bela de uma pressão alta.
em gestantes, isso é perigoso.
estou sendo medicada e monitorada.
falaria em repouso, se fosse possível.

29 de mai. de 2013

da sala ao berçário.

tive minha primeira regência do estágio obrigatório ontem.
depois de semanas chorando em cima do computador, primeiro pra determinar um tema, depois pra entender como abordá-lo, depois pra distribuir o conteúdo, depois pra criar o conteúdo, depois enviar pro orientador, depois pra corrigir o que o orientador mandou corrigir e, finalmente, entrar na sala de aula.
a noite anterior foi um tormento.
sono leve, medo de perder a hora, frio na barriga... vai que não dá certo?

mas deu.
era a primeira aula. todo mundo sonolento, ainda acordando. alguns comemorando o fato de ser estagiário dando aula, "porque é mais legal".
conversa vai, conversa vem. garotos dispostos, participativos, piadas sem graça.
quando vi, a aula tinha acabado.
sobrevivi.

achei engraçado sentir todo esse medo, se durante todo o processo eu nunca senti medo de encarar a turma. fui sentir só no dia anterior. e ainda assim achei estranho, pois há dois anos ando enfrentando turmas periodicamente pra aplicar projetos. depois, descobri que o medo era por estar sozinha (os projetos eram em grupos), por estar sendo avaliada, por não poder falar "ah vá se ferrar, tá loco?" se me falassem alguma bobagem.

apesar de alguns erros no cálculo de tempo (sobraram 10 minutos, eu não sabia o que fazer, fui socorrida pela professora regente), o gás pro estágio só começou. o fato de estar tudo pronto e o único trabalho agora é imprimir os materiais me dá uma puta sensação de "dever cumprido". e ele fica maior ainda quando vejo a alegria na cara dos adolescentes remelentos quando acertam as questões das atividades.

cada vez que ouço bater o sinal e tenho que ir embora, eu tenho ainda mais certeza do meu lugar.
e ele não é numa sala de aula de mestrado.

***


desconfiando seriamente que esse é o motivo de serem queridos comigo

32 semanas e 3 dias.
na maioria das tabelas, o oitavo mês.

já começando a incluir itens bebezudo na compra do mercado. hoje comprei fraldas em promoção, bolas de algodão e fraldas RN.
andei lendo coisas interessantes sobre introdução alimentar. mas, claro, ainda é cedo pra pensar nisso.

é bem empolgante meio que "começar" do zero. os novos conhecimento sobre educação, sobre fisiologia, sobre psiquismo infantil tem ajudado muito. todo um novo modo de criação, de estímulo.
eu cheguei a me lamentar por ter que fazer tudo de novo, visto que a luana já está em uma fase bem definida e bem distante do irmão que vai chegar. ela sequer brinca mais. suas diversões são música, dança, leitura, novelas adolescentes no youtube. ela ainda tem pequenos resquícios infantis, mas a maior parte do tempo eu me vejo com uma moça em casa. é estranho acostumar com isso. mas vejam, agora que eu vi que tenho a oportunidade de fazer diferente, totalmente segura das minhas escolhas, eu agradeço por poder fazer tudo de novo.

é como fazer as pazes comigo mesmo.
a amanda mãe de ontem dando uma chance à amanda mãe de hoje.