13 de set. de 2016

"ele vai dormir com você até quando?" - parte 1

há um tempo atrás, eu fui procurar alguma coisa numa conversa inbox pelo facebook com uma amiga minha e acabei achando nossas primeiras palavras. no meio daquele balaio, a gente falou sobre cama compartilhada.
eu li e ri de mim mesma. "que idiota!", foi o que eu pensei.
do alto da ~sabedoria~ de quem já tinha uma filha criada, eu tava cheia de certezas. ainda estava grávida e nossa, o casal precisa da intimidade deles. a primeira grande balela dos que são contra a cama compartilhada (que vamos chamar de CC agora).
se uma coisa eu aprendi nesses últimos anos é que certezas são praticamente inexistentes na maternidade. talvez a única é que amamos nossos filhos e queremos o melhor pra eles.

então autran nasceu.
e agora senta que lá vem textão.


O SONO DO AUTRAN
esse me deu um baile desde a maternidade. chorava demais, mamava demais. me sentia sufocada. o primeiro mês inteiro ele dormiu somente no colo, dia e noite. eu não tou exagerando, ele só dormia no colo. fazia uma pilha com cobertor dobrado e travesseiros pra recostar, deitar ele no meu peito e dormir. durante o dia era sentada no sofá com ele no colo vendo tv. dormia no sling, mas tinha que andar. se parasse ou sentasse, ele acordava. então limitei o sling às saídas e passeios.
foi tanto colo que sentia meus braços doerem, mas não aquela dor muscular, eram umas fisgadas na mão e braço. quando não aguentei mais, procurei um médico. diagnóstico: tendinite.
com os polegares das duas mãos paralisados, banhos e trocas ficaram a cargo da luana (tadinha), eu só ajudava. isso durou até mais ou menos o quinto mês de vida dele.
sonecas curtas, milhares de acordadas durante a noite e muito choro.
a CC não foi escolha, filosofia de vida, vamos criar com apego. foi necessidade mesmo. ou era isso ou era sair da minha cama 5 ou 6 vezes pra acalmar um menino difícil de ser acalmado.

quando ele fez 10 meses, suportava tirar soneca fora do colo, no carrinho/colchão, durante o dia.
quando ele fez 1 ano, parou de acordar 400 vezes à noite e se limitou a 1 ou 2 mamadas.

à partir dos 2 anos e meio, mais ou menos, percebi que não acordava mais durante a noite. mas não aceitava dormir sozinho. se eu saísse da cama, 5 minutos depois tava ele lá, protestando, pedindo que eu voltasse.
então comecei a observar que o sono noturno dele estava bem 'maduro'. o diurno ainda tá aquele vai e vem (dorme sozinho, dorme no colo... depende do humor do garoto).

até que ele fez 3 anos.
e um dia desses precisei sair bem cedo de casa, sem ele. levantei da cama e ele não acordou.
tomei café, me arrumei, arrumei lanche pra ele, dei instruções pro moisa e fui ver como ele tava. capotado.
quatro horas depois voltei pra casa e encontrei o moisa dormindo na sala. fui olhar no quarto e autran praticamente nem tinha se mexido. só despertou uma hora e meia depois que eu cheguei.

olhei aquilo como um sinal.


(continua aqui)

29 de jun. de 2016

de quando deveríamos estar com as compras em dia. ou o curioso apetite do meu filho.

é uma da manhã.
não irei dissertar sobre o sono do autran, até porque esse é um dos motivos desse blog estar às traças - a falta de um sono regular disseminou qualquer resquício de raciocínio além da sobrevivência básica.

é uma da manhã e ele está pulando na cozinha, com seu pijaminha de dinossauros e sua touca de ursinho (objeto de transição do momento). pula e grita: "futas! futas! futas!"
frutas. uma hora dessas.
"mas você já jantou e comeu maçã, filho!"
"futas!"
"tá, o que você quer?"
"banana"
"banana acabou, não tem mais"
"batata!"
"também não tem"
"kiwi"
"acabou"
"abacaxi"
"vish, esse também não tem!"
"tchéwi" (cherry - cereja, que na verdade pra ele é morango)
"meu deus, autran!"
comecei a me sentir relapsa. acabaram todas as frutas e eu nem percebi?

"quer mais maçã? maçã tem"
"tomati"
"ufa, esse tem"

corto um tomate em 8 pedaços, dou pra ele e ele leva pra cama.
é, ele come na cama, antes de dormir.
ao lado, num cantinho, um pedaço de pão de forma integral - que foi o pedido de ontem.

cansada demais pra protestos.
come o tomate na cama.

boa noite, notívago.

16 de nov. de 2015

MANHÊ!

autran completou 2 anos e 3 meses dias atrás. vinte e sete meses de vida.
ele é uma figurinha. ao mesmo tempo que vejo tanto da luana nele, percebo também uns comportamentos tão dele, tão únicos. os mais marcantes são as obsessões.

normal crianças de 2 anos terem obsessões, né (acho).
autran começou com as letras do alfabeto. desde que ele aprendeu a mexer no ipad, ele vai direto no youtube e, de alguma forma, achava vídeos pra crianças em fase de alfabetização. hoje em dia é a coisa mais fácil, visto que no youtube do ipad praticamente só se assiste isso, é a única coisa que aparece na página principal.

depois foi a fase das cores.
depois a fase dos números.
agora estamos na fase das formas geométricas e não tão geométricas.

e ele simplesmente não fica só vendo e revendo videos ensinando as letras, cores, números e formas. ele fica caçando tudo que remete à alguma coisa nesse sentido ao seu redor. andar na rua com ele é um espetáculo. ele aponta pra tudo e fica falando letras que vê, cores que vê, números que vê e as formas que vê.
tipo assim, o tempo todo. não tou brincando, o tempo todo.

em casa, a coisa toma proporções ainda maiores.
ele tem um quebra-cabeça de madeira com as formas coloridas e, adivinhem, é o seu brinquedo favorito no momento (mais que a boneca da elsa).


ele senta no sofá com o tabuleiro no colo e fica pegando pecinha por pecinha e falando "manhê! etchi cãrco (esse circle)" e EXPERIMENTA não responder, experimenta responder sem ligar muito, mexendo no celular... é uma gritaria até você olhar pra ele e dizer "oi filho, ah sim, um circle".
é bonitinho, até ele não deixar você conversar com mais ninguém.

outra coisa que ele faz é carregar as peças pra todo lado.
pra comer, pra mamar, pra tomar banho e até pra dormir.
acordar com um hexágono cutucando suas costas, quem nunca?



os dois anos são famosos pela crise do terrible two.
ao mesmo tempo, uma espiada na fase deliciosa que vem em seguida.