19 de jan. de 2014

as time goes by.

já não faço mais promessas pro blog.
ás vezes eu até falo "vou falar depois sobre isso" e, claro, acabo não falando. daí passa muito tempo, e eu fico com vergonha de continuar falando como se não tivesse um espaço de 7 meses entre os posts. não sei o que é pior, nesse caso.

tenho milhões de posts na cabeça.
queria muito mostrar como anda o quarto montessoriano do autran. todo o processo de montagem e os objetivos. porque agora, finalmente, ele tem um quarto só pra ele.
ainda fazemos cama compartilhada. joguei um colchão de solteiro do lado do colchãozinho dele e as (muitas) mamadas noturnas continuam em estado de semi-sono.


no momento, é só disso que precisamos :)

e não somente o quarto, mas as atividades também. autran passou da fase visual e está no estímulo tátil, que pra mim é o mais interessante.
tenho fotografado e partilhado no instagram, mas não é a mesma coisa...

também queria falar das fraldas de pano. muita gente vem me perguntar sobre elas, se compensa, como cuidar, como funciona, se dá trabalho... até comecei a fazer uns videos pra facilitar hah

também queria fazer aqueles posts mensais que acompanha o crescimento do bebê. desses que toda mãe zelosa faz, contando as novidades, as conquistas, as medidas, acompanhado de fotos lindas e encantadoras. eu nunca consegui fazer o do autran.
óbvio que já pensei, já escrevi mentalmente, mas não consigo, simplesmente não consigo.
e pegando esse bonde, queria falar de como é a vida com um bebê high need.
durante o dia eu não posso, durante a noite eu só quero deitar e assistir meu seriado no ipad.

também queria falar da vida com duas crianças em casa.
queria falar da casa nova. da vida nova.
queria falar do ano de 2013 que foi tremendo...
até cheguei a começar a separar algumas fotos pra uma retrospectiva visual.

a vida corre, logo o autran começa a comer e eu sequer falei das leituras que fiz sobre introdução alimentar montessori x blw...

*sigh*

1 de jan. de 2014

hoje foi um dia bom.

Definitivamente bom.
Estamos em mais um processo de mudança; três casas em 3 anos não é para qualquer um. Enquanto coloco tudo em ordem, numa calma assustadora, penso nas milhares de possibilidades que esse novo ano traz consigo.
Hoje, estamos numa casa dos sonhos: espaçosa, fresca, simpática. Estamos todos em bons momentos. Estamos, eu e moisa, na doce amargura que os 30 anos traz pra gente. Uma dose de resignação com indiferença, ao mesmo tempo uma convicção na bagagem da maturidade. Estamos calmos, sabemos o que queremos.
Raramente fico otimista como estou na virada. Sempre digo, especialmente a mim mesma, que tudo é continuaçäo e não recomeço. Isso nunca fez tanto sentido.
Ainda assim, não posso deixar de relembrar que 2013 foi um ano incrivelmente intenso. Isso merece um post exclusivo. Pois um ano INTEIRO regado a sangue, suor e lágrimas não deve ser ignorado. Mas depois, o farei com calma.

Agora, deitada num colchão da cama compartilhada no chäo do quarto do meu filho não é digno.
Estou escrevendo no teclado qwerty do meu celular usando a internet da TIM enquanto autran briga com o sono pra dizer que esse primeiro dia do ano foi delicioso. Foi calmo. Foi previsivel. Foi leve. Espero que ele seja um reflexo do que meus dias serão daqui pra frente. Pois depois da tempestade que foi 2013, em 2014 eu espero calmaria.

Calmaria ao lado da minha filha pré-adolescente e sua preocupação genuina acerca de absorventes, espinhas e adolescência, ao lado do meu filho bebê e sua missão secreta na terra, que consiste em babar em todo colo possível e ser fofo 24/7, e ao lado do moisa, pra ter certeza a cada segundo que eu fiz as escolhas certas na vida.

Estou otimista e esperançosa.
Como nunca antes.

Feliz ano novo!

16 de dez. de 2013

chatting.

eu aprendi que parto normal REALMENTE não é pra todo mundo.
parto te vira do avesso, psicologicamente. o físico é o de menos. as pessoas se prendem à dor, mas a dor do parto é a última das coisas que você deve se preocupar. é suportável, teu corpo jamais te daria algo que você não poderia lidar. ele é inteligente. milhões de anos de evolução ensinaram isso pra ele. uma rápida pesquisa ou uma conversa com uma boa doula e um olhar mais "pragmático" e você entende isso.

o lance é mais embaixo. o parto acontece mesmo dentro da cabeça.
a mulher contemporânea, classe-média, independente, tem muuuuito esqueleto no armário. muito trauma inconsciente, muitas necessidades, aflições, carências. e ela se nega a olhar pra tudo isso. ou porque não tem tempo, ou porque não quer, ou os dois. somos muito cobradas e menosprezadas ao mesmo tempo.
num parto, tudo isso é jogado no seu colo.
parir não é somente dor e sofrimento físico, o emocional é infinitamente mais violento.
por isso que tem mulher que tem um parto lindo, rápido, maravilhoso, e outras tem aquele parto difícil, demorado, sofrido. tudo isso depende da bagunça dentro de si.

hoje, meses depois, eu fui entender porque o meu demorou tanto. eu não escrevi tudo que realmente aconteceu ou sentia no relato. tem coisa que eu só guardo pra mim. se você se recorda, eu fiquei com 7cm de dilatação e bebê alto por horas seguidas, e a coisa só foi se desenrolar quando eu fui pro chuveiro e chorei.
eu achei, durante a gravidez inteira, que eu teria que resolver coisas sobre minha cesárea e a criação da luana pra poder parir tranquila.
mas eu estava errada.
eu sou muito bem resolvida quanto à cesárea. meu problema era minha relação com a minha família. eu engoli muito choro na frente deles, a minha busca pelo parto natural humanizado era TÃO solitária e TÃO angustiante que eu pensei em desistir várias vezes. e ás vezes eu queria chorar as pitangas, ou compartilhar alguma coisa com alguém além do moisa. mas eu não tive nada disso.
minha mãe é terminantemente contra parto normal, nem minha experiência mudou a opinião dela.

e eu percebi isso, que minha "trava" era outra, porque foi depois da minha mãe entrar no quarto, me fazer massagem e me abraçar, que a coisa fluiu. eu fiquei mais de 4 horas sem progresso algum. quando minha mãe saiu do quarto, deu 20min e o autran nasceu.
eu vi que não estava abandonada como parecia. porque era justamente isso que eu sentia: abandono.
abandono por parte dos meus pais.

e te prepara, que depois do parto você vai se sentir capaz de QUALQUER COISA. é realmente um rito de passagem. toda mulher deveria passar por isso, sério. nossos conceitos, crenças, concepções, tudo muda.
a gente cria uma coragem que vem lá do âmago. fica bem animalesca mesmo, heh.
eu achei que a maternidade tinha me deixado mais forte, mas foi depois de toda essa experiência que eu vi a força que eu tenho, a força que meu corpo tem. que eu e meu corpo somos capazes de geral, parir e nutrir, naturalmente.
isso NINGUÉM vai tirar de mim. nunca mais.