5 de jun. de 2010

porque jamais serei critica de cinema.

pra quem não sabe, eu e algumas amigas temos um outro blog temático.
falamos de filmes. assim, descompromissadamente.
filmes por quem gosta de filmes. sem analisar coisas técnicas ou mensagens que quase ninguem vê (ou quer ver). a gente vê, gosta - ou não - e fala sobre.
tipo um clube do livro.

alias, sempre quis fazer parte de um clube do livro.

raramente eu falo desse outro blog aqui. até hoje não sei bem porque.
mas agora vou começar a fazer isso.

hoje postei sobre o desenho as bicicletas de belleville, que vi uns dias atras.
filmes lindo, encantador, caricaturesco e silencioso.

tive conhecimento dele por causa de uma música.
há um tempo atrás, perdi todas as mp3 do meu computador, e como quem tem amigos tem mp3, muita gente começou a me mandar música pelo msn. no meio delas estava belleville rendez-vous, do mathieu chédid.
foi paixão instântanea. comecei a procurar mais coisas do artista, mas o estilo dele não me agrada muito. então ouço só essa no repeat.
daí vi que fazia parte de uma trilha sonora de um filme. achei as imagens tão cativantes e a história idem... resolvi baixar pra ver.

vale a pena conferir :)


clique na imagem e seja levado magicamente por unicórnios-robôs ao post mencionado ^.^

31 de mai. de 2010

cidade do sol.

- voce não... mammy, tenho medo que...
- pensei nisso, na noite em que recebi a noticia - disse-lhe a mãe - não se vou mentir para você. e continuo pensando nisso. mas, não, não se preocupe, laila. quero ver o sonho dos meus filhos se tornar realidade. quero ver o dia em que os soviéticos vão voltar para casa derrotados, o dia em que os mujahedins vão entrar em cabul, vitoriosos. quero estar aqui quando isso acontecer, quando o afeganistão voltar a ser livre, pois assim os meninos vão ver isso tambem. vão ver essas cenas através dos meus olhos.

logo depois, mammy pegou no sono, deixando laila dominada por emoções conflitantes: por um lado, o alívio de saber que a mãe pretendia continuar viva; por outro, a dor de saber que não era por SUA causa.
nunca deixaria a sua marca no coração de mammy, como seus irmãos tinham deixado, porque aquele coração era uma espécie de praia desbotada onde as pegadas da menina seriam sempre apagada pelas ondas de tristeza que se erguiam e quebravam, se erguiam e quebravam.

(khaled hosseini)

26 de abr. de 2010

amor.

no fundo, ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. e isso um lar perplexamente lhe dera. por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. o homem com quem se casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade e alegria. o que sucedera a ana antes de ter o lar estava para sempre fora de seu alcance: uma exaltação perturbada que tantas vezes se confundira com felicidade insuportável. criara em troca algo enfim compreensível, uma vida de adulto. assim ela o quisera e o escolhera.

(clarice lispector)