5 de set de 2014

bonanza.

no relógio, batia 16h25.
tinha um compromisso às 16h30 e tinha acabado de perceber que a blusa que eu havia separado pra vestir estava suja. tinha pego a blusa na montanha-nível-everest de roupa limpa-ainda-sem-passar. joguei em cima da tábua de passar e fui cuidar da vida. "antes de sair eu passo, assim não amassa e nem suja", pensei eu. enquanto passava ferro numas das poucas blusas decentes da minha categoria ~para amamentar~, percebi uma sujeirinha. e não era qualquer sujeirinha: era merda de passarinho.
uma parte do varal fica bem embaixo de um ninho que pardais fizeram no telhado da minha casa. sempre esqueço disso e tenho surpresas desse tipo.

jogo a blusa de volta pro cesto e pego outra, ainda da categoria ~para amamentar~, mas das que também fazem parte da categoria ~só uso quando não tem mais nenhuma limpa~.

era 16h27 e eu mandei um audio no whatsapp avisando do ocorrido e que ia atrasar uns minutinhos.
pus autran no carro e parti.

no caminho, sentia uma sensação de "dever cumprido" do dia.
havia feito tudo que tinha planejado antes de me levantar: lavar o cabelo, fazer o trabalho de linguística de uma forma decente.

(vejam como minhas expectativas andam baixas)

ir para a reunião das 16h30 sem estar vergonhosamente atrasada também era uma mini-vitória, apesar de eu ter planejado dar banho no autran antes de sair e montar uma bolsa digna.
como ele foi especialmente demandante enquanto eu me afogava pra achar exemplos textuais de ~heterogeneidade tipológica~, terminei o trabalho em cima da hora.
o jeito foi dar um banho de gato com paninho molhado na água com cravo, por uma roupa limpa, chinelo limpo, perfuminho pra enganar, pegar uma bolsa qualquer e jogar lá fralda, paninho, uma banana e o copinho de água.

fim da reunião. esqueço de fazer a inscrição pra uma prova que tenho que fazer. ainda assim, chego em casa 10 minutos antes de ter que sair para pegar o ônibus e partir pra faculdade.

cheguei agora, às 23h50.
autran já dorme. luana já dorme.
nesses dias corridos assim, que é tudo atropelado, afobado, afetado, quando chega a paz, eu sinto um vazio.

encher as horas de repente é ruim.
esvaziar é pior ainda.