8 de out de 2011

rock in rio - parte única.

antes tarde do que nunca, né gente?
(senta que o post é longo >.<)

nós (eu e moisa) compramos nossos ingressos nos primeiros 15 minutos do dia 18 de novembro de 2010. teríamos comprado antes, se o site não tivesse congestionado. assim que soubemos que a primeira banda confirmada era metallica, pensamos: "não podemos perder, não podemos".
nós sentimos muito em não ter ido no último show que o metallica fez no brasil (não me lembro da data), o moisa principalmente. é sempre aquele pensamento: os caras tão velhos, não fazem mais tanta turnê mundial, sabe-se lá quanto tempo a banda ainda vai durar, etc.
então foi assim, com quase um ano de antecedência, já começamos a planejar tudo.

não vou entrar no detalhe da excursão que estava paga há quase três meses e me cancelam tudo dois dias antes da viagem, me deixando desesperada no google procurando ônibus com lugares disponíveis em plena madrugada. no final, conseguimos assentos desconfortáveis numa van.

saímos de maringá no sábado de tarde, um comboio composto por dois ônibus e duas vans lotadas. dezessete horas de viagem sem poder esticar as pernas, ouvindo algum metal ou algum rock farofa, vendo um filme clássico da sessão da tarde. eu tenho sorte, consigo dormir em qualquer lugar, em qualquer situação. boa parte da viagem eu capotei e não vi nem senti nada. era na hora de ir no banheiro, fumar um cigarro ou comer alguma coisa que eu via que meu físico já pedia arrego.
mas chegamos. pela segunda vez no rio de janeiro, e pela segunda vez o céu nublado. era meio-dia do domingo. muito movimento na rua, muito evangélico protestando com aquelas faixas que todo mundo viu. fomos direto pra um terminal rodoviário, de onde saiam os ônibus exclusivos pra cidade do rock.
gente. gente. gente. gente. gente. gente.
andando em fila indiana, devagar, esperando os ônibus lotarem pra darem lugar aos outros vazios e assim encherem de gente e [continua infinitamente]. ao chegar na entrada da cidade do rock, mais fila. essa sim me assustou.
eu nunca fui a um evento desse porte, ou que tivesse um décimo desse porte. acho que a maior fila que eu já peguei na vida foi ficar 40 minutos esperando atendimento no banco do brasil (sério). e essa fila tinha quilômetros. fazia curva. eu não tive coragem de ver seu fim, encostamos em uns conhecidos da excursão e quando ela começou a andar (e as vezes andava rápido demais!), uns "buracos" eram abertos e nos enfiamos ali mesmo. acho que poupamos umas duas horas da nossa vida nessa atitude que eu considero extrema falta de educação (me chicoteia).

e assim fomos. ás vezes correndo, ás vezes nem tanto, entramos. antes passamos por três "funis": um pra conferir o ingresso (entre aspas né, o meu era ~nominal e intransferível~ e sequer checaram meu nome nele), outro pra revistar as mochilas (entres aspas né, porque só me perguntaram se havia vidro lá dentro, eu disse que não, me liberaram) e outro pra mostrar o ingresso furado.
pronto. estávamos no evento mais (mal) falado dos últimos meses.

daí você pensa em alguém que só havia comido umas frutinhas bonitinhas ás 9 da manhã, e já era 3 e meia da tarde, estava varada de fome e a primeira coisa que eu quis foi: comer. sabia que havia um spoleto, mas ouvi gente comentando da fila monstruosa. me arrisquei na do bob's, que era monstruosa, mas por ser fast-food, imagina-se que seja rápido. LEDO ENGANO.
se demorei uma hora e meia pra entrar, pra comprar um hamburguer eu fiquei nada menos do que duas horas e meia esperando. e só de raiva eu comprei cinco. e confesso que a última hora naquela fila foi de pura birra, porque eu sou marrenta.

alimentada, descansada (me sentei num "gramadinho" pra comer, eu e moisa deitamos, e eu - acreditem - dormi alguns minutos), fomos conhecer a tal cidade do rock.
olha, vou dizer, tava bonitinha. as coisas que eu posso elogiar são os banheiros limpos, com papel sempre. muitos banheiros, por todos os lados. havia filas em tudo que é canto, mas pra banheiro não. nem pra cerveja. a variedade de comida também foi legal (se eu soubesse antes, não teria perdido um pedaço da alma por um hamburguer). tanto que mais tarde, pouco antes do metallica, pude saborear temakis e sushis deliciosos, sem fila, sentada num canteirozinho que anteriormente tinha flores, mas no momento só tinha copos, papel e lixo.
os brinquedos devem ter sido fantásticos, mas eu olhava pra fila e tinha vontade de chorar.
os stands dos patrocinadores não me apeteciam. alguns brindes pareciam legais, mas MAIS fila por coisas descartáveis não era parte do meu roteiro.
rock in rio era isso: fila com som ambiente.

a rock street era charmosíssima, e as apresentações por lá eram interessantes. mas eu só vi de passagem (risos).
as lojas de produtos oficiais era um insulto de tão cara. perdão aos amigos, mas nada de presentinhos. um chaveiro fedorento por 15 reais? nunca na vida.

mas vamos pra parte boa: os shows.
não vi as paradinhas do palco "sunset" porque o que me interessava era matanza. e quando eu entrei, o show do matanza já tinha terminado. só me restava o palco mundo, e por lá as coisas só começaram de noite. os primeiros eu não vi porque ou estava em fila ou andando ou dormindo.
ver motörhead foi meio surreal. é uma banda que eu admiro, mas conheço pouco. tanta gente que eu conheço que idolatra o lemmy e, tipo, ELE ALI MEU! foi um show curto, na minha opinião. sei lá, pra mim foi curto.
parei pra ver slipknot, gravei quando eles tocaram "people=shit" por causa de uma amiga. vi o mosh. vi eles mandando todo mundo se abaixar pra dar aquele pulo e tal. deve ter ficado bem legal na tv. eu não gosto da banda, mas admito que foi um ótimo show.
e achei uma grosseria sem tamanho aumentarem o som "de mentira" enquanto eles ainda estavam no palco dando tchauzinho pra galera.

daí a ansiedade.
eu e moisa achamos um lugar no gramadinho artificial, me sentei e só restava esperar. e cara... eu confesso que boa parte do meu gosto pela banda foi por causa do moisa. mas quando começou aquela abertura clássica deles, "ecstasy of gold" e, nos telões, a cena de "the good, the bad and the ugly", e todo mundo fazendo aquele "ôôôôôôôô"... e daí quando acaba, você ouve aquele "tchi tchi tchi" da bateria... cara... CARA! até me arrepio só de lembrar.
de fazer muito metaleiro deixar escorrer lágrimas.

e a gente gritou, cantou, deu soquinho no ar, assim, bem cafoninha.
não vou comentar as músicas que eu gosto porque vai ficar mais longo do que já está. mas vou resumir que foi lindo e que eu quase chorei nuns 5 ou 6 momentos.
a gente ainda anestesiado, caminhava pela neblina de uma madrugada carioca nem acreditando no que havíamos presenciado.

cansaço extremo. uma palhaçada de pagar dez reais pra poder sair da cidade do rock. os pés em frangalhos. o sono. o arrepio de imaginar mais 17 horas numa van.
dormi no chão (de novo) esperando o resto do pessoal da excursão aparecer. quando dei por mim, estava naquele terminal bufado de gente, com o sol já alto.
acabou. de verdade.

a viagem da volta foi quase insuportável pela necessidade de banho, cama, comida de verdade. minha panturrilha, canela e pé era uma coisa só, de tão inchado que estava. mesmo assim, dormi praticamente o tempo inteiro.


sendo diva no terminal rodoviário e moisa muito tranquilão (HAHA) / não disse que a fila fazia curva? / quase no primeiro "funil". tavam fotografando a fila, por isso as mãozinhas no ar.


aê, entramos! / palco mundo, bandeiras e céu nublado: tudo visto da querida fila do bob's / todo mundo esperando motörhead.


rock street saiu borrada, mas a foto é legal / it's metallica! / it's fucking metallica!


mesmo demorando dois dias pro físico voltar ao normal, mesmo os gastos desnecessários, as filas intermináveis, sentar no chão mijado (pois é, mesmo com os banheiros 100%, tinha gente mijando em qualquer lugar e minha calça fedia urina quando cheguei em casa), dormir no meio do lixo (né, cestas de lixo pra quê se você pode jogar por cima do ombro?), música que eu não gosto, 34 horas sentada, 14 horas em pé... eu olho pra esse final de semana que me fez perder duas provas como uma das melhores lembranças que eu vou ter enquanto viver.

porque você não pode dizer que teve juventude se não foi a um festival de rock.