o grande problema é que a única pessoa que tira fotos boas da minha pessoa é eu mesma.
tá, mas o lance não é esse.
falavam das alegrias de ser monitor da semana literária do sesc. além das brincadeiras, poder se fantasiar sem pudor, os lanchinhos, as fofocas, havia um certificado de horas extra curriculares e um pagamento. veja só, um pagamento!
uma semana de trabalho pra receber pouco menos do que eu recebia quando trabalhava o mês inteiro.
me inscrevi. fiquei nervosa achando que não seria selecionada. afinal, o dinheiro já tinha destino (uma viagem aí pra são paulo).
mas tudo deu certo.
naquela segunda-feira, estávamos todos lá descarregando um caminhão de tralhas, montando stands, se divertindo com perucas e óculos gigantes.
trabalhei numa oficina de caça-palavras literário. que ingrato.
ingrato por ser infantil. sim, o público-alvo das oficinas eram alunos do ensino fundamental, até o 5º ano. mas as criançada não quer mais saber de pinóquio e cinderela.
eles querem chucky, darth vader, jason, bruxas, vampiros, até fãs de walking dead eu achei lá.
no terceiro dia, improvisei uma "fantasia" de zombie boy. ficou tosquissimo, claro. mas chamou atenção (era importante chamar atenção, minha voz não bastava) no meio das outras meninas vestidas de fadas e borboletas.
falando em voz, eu gritei. gritei como nunca na minha vida. da garganta doer. e se tivesse facilidade para ficar rouca, seria daquelas de não ter sequer um fio de voz. mas eu nunca tive esse problema. posso gritar a noite toda no sereno, bebendo gelado e fumando filtros vermelhos que minha voz permanece a mesma.
foi a primeira experiência que tive com crianças em idade escolar.
assim, uma TURMA de alunos. é estranho ter e, ao mesmo tempo, não ter um poder tão grande nas mãos.
você diz "senta", eles sentam. você faz uma pergunta, eles levantam o dedinho e respondem. daí você se apaixona. e quando mostra o quadro pra eles procurarem as palavras, eles levantam, derrubam o quadro, brigam, choram, e você tem que ameaçar acabar com a brincadeira pra que eles cheguem um pouco pra trás. e daí a paixão vai pro ralo.
e quando chega ao fim e você dá tchau, sente uma pena de tudo ter acabado tão rápido.

as agruras foram muitas.
eu tinha que estar no local às 8 da manhã, isso queria dizer acordar às 5hr pra pegar o ônibus às 6hr15m e chegar em marechal cândido rondon (onde tudo acontecia, né gente) às 7hr30m. repetir o mesmo texto o dia inteiro, ir pra aula a noite e chegar em casa depois da meia-noite. de segunda a sábado.
eu tive algumas recompensas, como a dada por mim mesma, quando aceitei o colchão da amiga e fiquei dormindo ao invés de assistir aula. ou aquela dada em forma de uma ótima palestra com o escritor ignácio de loyola brandão, autor de um dos meus contos favoritos de todos os tempos ("obscenidades para uma dona-de-casa"). e o mais legal? ele contou como surgiu a inspiração. tirei fotos. pedi que autografasse um livro dele pro moisa. pedi um abraço.
nunca havia abraçado um escritor. abraço firme. cheiro agradável.
no sábado, quando todas as atividades foram encerradas, eu estava tão esgotada que disse aos 4 ventos que não queria mais saber de semana literária na vida.
e não quero mesmo.
até o ano que vem.












