30 de out de 2009

27 de out de 2009

da lista de coisas deleitáveis.

balanço de rede; coleção de gibi da mônica; revista coquetel; caderno novo; caneta nova; sorvete de café; lápis-de-cor; lasanha quatro queijo; o primeiro gole de chopp; água gelada às 2 da manhã; o primeiro cigarro do dia; o último cigarro do dia; café colonial; banho frio em dia quente; banho quente em dia frio; brisa de uma manhã de primavera; sol numa manhã de inverno; campos de flores; campos de trigo; desentupir o nariz; dormir levemente embriagada; porção de tilápia com molho rosé; farofa de frango assado de açougue; refrigerante de framboesa; rolinho primavera; quarto de hotel com ar condicionado; lençol limpo; sashimi de salmão; bolo de capuccino; beijo no pescoço; luvas; banho de mar durante a noite; acordar ao som de passarinhos; cantarolar modern lovers num momento de leve melancolia; tirar o sapato depois de andar o dia todo; andar descalça na grama; viajar de carro; cantar enquanto cozinha, limpa, lava, passa; perder peso; ganhar dvd de presente; ganhar livros de presente; achar dinheiro; ganhar dinheiro; gastar dinheiro; torta de limão; tulipas; adega de vinho; ver uma foto em que a gente esta mais bonita do que o real; resolver problemas de raciocínio lógico; montanha-russa; faca amolada; cheiro de pão caseiro; abraçar; ser abraçada; roupa nova; roupa velha; descobrir que aprendeu a passar delineador; deitar no sofá no meio da tarde; receber sms de amigos; filhotes; tofu com shoyu e gengibre; sopa de feijão; gente extrovertida; gente inteligente sem ser pedante; cheiro de chuva; fisgar um peixe; pão-de-alho; acertar no tiro ao alvo; suco de maracujá; bolo de fubá com goiabada; passar de carro pela ponte de um rio; ajudar alguém no ônibus; rir sozinha de alguma lembrança da infância; tempestade de raio; motorista de táxi gentil; cinzeiro vazio; decolagem de avião; descobrir um restaurante ótimo; creme para mãos; pintar as unhas; carro da pamonha; queimar papel inútil; piada realmente engraçada; algodão-doce; cantar e dançar sua canção favorita na boate; episódio inédito dos simpsons; pessoa que imita os outros de uma forma hilária; espetinho de gato; cochilar; elevador vazio, sem câmera e com espelho; banheira; cheiro de giz-de-cera; feriado na segunda-feira; massa de modelar; andar de carro sem rumo; cornetto; cachorro dócil; festa de são cosme & damião na bahia (com caruru, vatapá, arroz, frango e rapadura); dormir de conchinha; pizza com borda de cheddar; tirar fotos bonitas sem querer; gente idosa lúcida e lépida; cemitérios japoneses; lojas de departamento que deixam testar maquiagem; miniaturas; pessoas bonitas e humildes; ganhar alguma promoção; album novo cheio de fotos de alguém que a gente stalkeia; chá gelado; queijo gorgonzola com tomate seco; cerveja artesanal; passar dentro de túnel; viajar de trem; andar de bicicleta bem de manhanzinha; guitar-hero; mario bros; crash bandicoot; cebola frita; mesa de bar com amigos; molho barbecue; descascar mandioca; bolhas de sabão; camarão; declarações de amor ou amizade; descobrir que aquela dor não era nada; apagar com remédio pra dormir; preguiça no dia seguinte a uma noite de rock; cd novo da sua banda favorita; ser a primeira a escolher o bombom após alguém abrir uma caixa...


e mais 9.462 coisas prazerosas que não quero lembrar, pois uma hora terei que parar de escrever.


(post inspirado no texto "coisas abomináveis", de paulo mendes campos.)

21 de out de 2009

ser brotinho.

ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais!
ser bortinho é rir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o rídiculo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.
ser brotinho é não usar pintura alguma ás vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.
é viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a comtemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. é passar um dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo.
ser bortinho é ainda possuir vitrola própria e perambular pelas ruas do bairro com um ar sonso-vagaroso, abraçada a uma porção de elepês. é dizer a palavra feia precisamente no instante em que essa palavra se faz imprescindível e tão inteligente e natural. é também falar "legal" e "bárbaro" com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.
ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. é esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. é aguardar com paciência e frieza o momento exato de vingar-se da má amiga.
(...) é telefonar muito estendida no chão. é querer ser rapaz de vez em quando só para vaguear sozinha de madrugada pelas ruas da cidade. achar muito bonito um homem muito feio. é fumar quase um maço de cigarros na sacada do apartamento pensando coisas brancas, pretas, vermelhas, amarelas.
(...) é falar inglês sem saber verbos irregulares. é ter comprado na feira um vestidinho gozado e bacanérrimo.
é ainda ser brotinho (...) ir sempre ao cinema mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. é ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanha e uma de cinzano sem sentir nada, mas ter outra vez bebido só um cálice de vinho do porto e ter dado um vexame modelo grande.
ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausente. (...) amanhecer chorando, anoitecer dançando. é manter o ritmo na melodia dissonante. usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue-jeans. (...) permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem.
eventualmente, ser brotinho é como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho, de tão amadurecida em todo o seu ser. é fazer marcação cerrada sobre a presunção incomensurável dos homens. (...) é policiar parentes, amigos, mestres e mestras com um ar songamonga de quem nada vê, nada ouve, nada fala.
ser brotinho é adorar. adorar o impossível.
ser brotinho é detestar. detestar o possível.
é acordar meio-dia, com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijamas telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina.

(paulo mendes campos)


o texto acima foi tirado do livro "cem melhores crônicas brasileiras". foi escrita no início dos anos 50.
como pode-se ver, pouquíssima coisa mudou até hoje.

16 de out de 2009

perdido no computador.




em abril.
quando minha carreira de guitar-hero estava no auge.

(e a minha calça de moleton preferida ainda não tinha rasgado de tanto uso e ido pro lixo.)